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Taiwan diz ser 'impossível' transferir 40% da produção de semicondutores aos EUA

Autoridades taiwanesas rebatem exigência americana e defendem manutenção da produção na ilha

Fábrica de chip  (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Fábrica de chip (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 06h55.

A principal negociadora comercial de Taiwan afirmou que será “impossível” transferir para os Estados Unidos 40% da capacidade de produção de semicondutores da ilha e negou que a indústria local de chips possa ser realocada, como defendem autoridades americanas.

A declaração foi feita pela vice-primeira-ministra e negociadora comercial Cheng Li-chiun, em entrevista exibida no domingo pela emissora taiwanesa CTS. Segundo ela, a estrutura produtiva do setor foi construída ao longo de décadas e não pode ser deslocada para outro país.

Taiwan é uma das maiores potências globais na fabricação de semicondutores, componentes essenciais para a economia mundial, enquanto Washington busca ampliar a produção doméstica da tecnologia considerada estratégica.

Em janeiro, os Estados Unidos concordaram em reduzir de 20% para 15% as tarifas sobre produtos taiwaneses. Em contrapartida, o governo americano espera que Taiwan amplie seus investimentos no país.

O secretário de Comércio dos EUA, Hooward Lutnick, afirmou no mesmo mês que Washington pretende transferir até 40% da cadeia de suprimentos taiwanesa de semicondutores para território americano. Ele alertou que, caso isso não ocorra, as tarifas poderão subir de forma significativa.

“Ecossistema não pode ser realocado”, diz negociadora

Segundo Cheng, essa exigência já foi rebatida diretamente em conversas com autoridades americanas.

“Sobre a possibilidade de que 40% ou 50% da capacidade produtiva seja transferida para os Estados Unidos, deixei muito claro à parte americana que isso é impossível”, afirmou.

Ela comparou a indústria de semicondutores de Taiwan a um iceberg, explicando que a maior parte do ecossistema produtivo está sustentada por bases profundas e interligadas.

“As partes submersas são enormes. Um ecossistema industrial construído ao longo de décadas não pode ser realocado”, disse.

Cheng acrescentou ainda que o setor de semicondutores taiwanês não apenas permanecerá no país, como deve continuar se expandindo nos próximos anos.

*Com informações da AFP 

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