Bandeira do Peru: país terá eleições gerais em 12 de abril (Carl de Souza/AFP)
Repórter
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 06h01.
Há 33 anos, o governo do Peru decidiu acabar com o Senado e adotar o modelo de Congresso com uma Câmara só. Em 2026, no entanto, o Senado voltará a existir. Na eleição de 12 de abril, os peruanos vão eleger 60 parlamentares para reabrir a Casa.
A decisão pelo fim do Senado ocorreu durante o governo do ditador Alberto Fujimori. Ele fechou o Congresso em 1992 e fez uma reforma constitucional por conta própria, em 1993, para aumentar seus poderes. Nessa reforma, foi adotado o modelo de apenas uma câmara, que se manteve mesmo após o retorno à democracia, em 1995.
O Peru vive uma forte crise institucional nos últimos dez anos, em que o Congresso ganhou força e passou a votar processos de impeachment em sequência. Assim, o país teve oito presidentes em uma década, dos quais seis sofreram impeachment ou renunciaram para escapar de processos.
Em 2018, um plebiscito rejeitou a recriação do Senado. No entanto, o Congresso aprovou a proposta em 2024. "O restabelecimento do bicameralismo no Peru é, sem dúvida, a reforma constitucional mais importante aprovada pelo Congresso desde a sua criação com a Constituição Política de 1993", disse, na época, Alejandro Soto, então presidente do Congresso.
Soto justificou o retorno ao bicameralismo, entre outras razões, ao apontar que "uma norma revisada por duas instâncias, sem dúvida, trará maiores benefícios para o país".
Nas eleições marcadas para 12 de abril, os peruanos deverão eleger 60 senadores e 130 deputados, com mandato de cinco anos. Eles tomarão posse em julho. O Senado dará a palavra sobre leis e aprovará as nomeações de cargos importantes, como o de diretor do Banco Central e o de presidente do Tribunal de Contas.