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Parente de brasileiros feridos no Líbano pede socorro para retirar crianças de zona de ataque

Casa onde família mora, no sul do Líbano, foi bombardeada

Israel-Líbano: três brasileiros ficaram feridos em bombardeio (Jalaa Marey/AFP)

Israel-Líbano: três brasileiros ficaram feridos em bombardeio (Jalaa Marey/AFP)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 2 de junho de 2024 às 14h27.

Após os bombardeios que deixaram Fatima Boustani e dois de seus quatro filhos feridos no Líbano, familiares das vítimas estão pedindo às autoridades brasileiras que transfira com urgência Mariam, de 7 anos e Wajih, de 12 anos, para uma área segura.

Atualmente, os dois estão na casa de familiares no interior do Líbano, região próxima à Israel onde os ataques estão concentrados. Fátima está em estado grave na UTI, com sangramentos na cabeça e no pulmão. Seus dois filhos, Ali e Zahraa estão internados com ferimentos por diversas partes do corpo.

"A mãe está entre a vida e a morte. As crianças estão perdidas, não sabem com quem falar, sem a mãe e sem o pai. Elas estão em região de muito ataque. Estamos pedindo socorro para trazer pelo menos essas crianças para Beirute [capital do Líbano]", contou Hussein Ezzddein, primo do casal que mora no Brasil, ao GLOBO.

Fátima e seus dois filhos aguardam autorização médica para a transferência, segundo Ezzddein. A expectativa é que dentro de 24h, dependendo da evolução do estado de saúde, a família saberá se será ou não possível a locomoção para um hospital fora da área de risco.

"A gente precisa que as autoridades brasileiras tragam as crianças e a Fátima para aqui, com médicos mais especialistas. O pai está mal, ele precisa dos filhos, da família dele", diz Ezzddein.

Na tarde deste sábado, 1, a casa da família, em Saddikine, no Sul do Líbano, foi destruída por um bombardeio em meio aos ataques das forças armadas israelenses e do Hezbollah.

Na hora do ataque, Fátima estava em casa com Zahraa e Ali. As crianças viam televisão no momento do bombardeio. Zahraa chegou a ver a mãe desacordada enquanto era socorrida e estava em estado de choque, sem conseguir falar. Ela precisou passar por duas cirurgias na perna para estancar um sangramento e está acordada no hospital. Ali teve ferimentos leves nas pernas, cabeça e mãos nas hora da explosão e está na enfermaria do hospital.

"Estamos conversando com a embaixada e esperando a melhora da Fátima. O médico pediu mais 24h para ver a evolução da situação para ver se conseguimos a transferência para Beirute. Sobre as outras crianças, a embaixada ainda não nos deu retorn", disse.

O pai das crianças, Ahmad Aidibi, está em São Paulo, em estado de choque. O primo relata que Aidibi não tem dormido, comido, tendo ataques de pânico: "Ele está em estado de choque, chorando. Não dorme, não come, está depressivo. Ele só fala que quer os filhos e a esposa. Já pedi ajuda psicológica."

Itamaraty

Em nota, o Itamaraty afirmou que embaixada do Brasil em Beirute está em contato com os familiares e com a equipe médica e presta o apoio consular e que desde o começo dos ataques mantém contato regular com os brasileiros residentes no Sul do Líbano.

“O Brasil exorta as partes envolvidas nas hostilidades à máxima contenção, assim como ao respeito aos direitos humanos e ao direito humanitário, de forma que se previna o alastramento do conflito em Gaza e se evitem novas vítimas civis inocentes”, diz o texto.

Sobre os feridos, o Itamaraty afirma apenas que estão sendo tratados no Hospital Libanês Italiano, em Tiro, e não dá informações sobre o pedido de retirada da área de risco.

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