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Negociações de paz avançam no Paquistão sem encontro Irã-EUA

Chanceler iraniano se reúne com premiê do Paquistão e mediadores, reafirma que não haverá encontro direto com os EUA e expõe posições sobre trégua

Mohammad Bagher Ghalibaf, representante do Irã, ao lado de Shehbaz Sharif, premiê do Paquistão, durante negociações em Islamabad em 11 de abril (AFP)

Mohammad Bagher Ghalibaf, representante do Irã, ao lado de Shehbaz Sharif, premiê do Paquistão, durante negociações em Islamabad em 11 de abril (AFP)

EFE
EFE

Agência de Notícias

Publicado em 25 de abril de 2026 às 12h33.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, realizou neste sábado, 25, uma reunião, a segunda de grande importância desde que chegou a Islamabad na noite de ontem, para tratar das negociações de paz entre seu país e os Estados Unidos com o primeiro-ministro paquistanês, Shahbaz Sharif, e seu homólogo, Muhammad Ishaq Dar.

O escritório do premiê confirmou a reunião em um comunicado, indicando que o encontro ocorreu na residência do político paquistanês, no contexto da visita de Araqchi ao país, iniciada na noite de sexta-feira.

No encontro também esteve presente o chefe das Forças de Defesa do Paquistão e principal mediador entre EUA e Irã, Asim Munir, que também realizou uma reunião com Araqchi nas primeiras horas da manhã acompanhado por outros altos membros do aparato de segurança paquistanês.

Por sua vez, a Chancelaria iraniana destacou que a reunião, ocorrida no período da tarde, abordou "as relações bilaterais e a cooperação entre os dois países", além "dos acontecimentos regionais e internacionais".

Araqchi agradeceu ao líder paquistanês "pelos esforços das autoridades para pôr fim à guerra imposta pelos Estados Unidos e pelo regime sionista contra o Irã, alcançar um cessar-fogo e sediar as negociações" e expôs a ele as posições fundamentais do Irã em relação aos últimos acontecimentos ligados à trégua e ao fim definitivo do conflito.

Embora a nota não explique quais foram essas posições iranianas, vários meios de comunicação paquistaneses informaram que, entre outras coisas, os iranianos expressaram sua "reserva total" diante das exigências americanas e que o que eles solicitam é "o levantamento do bloqueio e a paralisação dos ataques americanos".

Além disso, como já haviam informado os iranianos antes de chegarem a Islamabad, "não haverá uma reunião direta com a delegação americana" que, segundo anunciou ontem o presidente Donald Trump, estaria voando dos EUA para Islamabad.

A viagem de Abbas Araqchi, do Irã

Na manhã de hoje, Araqchi se reuniu com Munir; o assessor de segurança nacional e chefe do serviço de Inteligência do Exército paquistanês, Asim Malik; o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi; e o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Garibabadi.

Também estiveram presentes o embaixador do Irã em Islamabad, Alireza Amiri Moghaddam, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei.

Araqchi chegou ontem à noite a Islamabad com o único objetivo declarado de se reunir com a cúpula civil e militar do Paquistão, uma viagem que coincidiu com o anúncio do envio iminente de uma delegação americana à capital paquistanesa para tentar desbloquear as negociações de paz para resolver a crise regional.

Segundo os EUA, os enviados especiais do presidente para estas negociações, seu genro Jared Kushner e Steve Witkoff, seriam os que viajariam ao Paquistão, após terem recebido um pedido iraniano para retomar as negociações presenciais e após terem identificado "alguns avanços" por parte de Teerã.

No entanto, as autoridades iranianas negaram categoricamente essa avaliação americana e sustentaram desde o início que a reunião não ocorreria.

De fato, Araqchi tem a previsão de continuar ainda hoje sua viagem rumo a Omã e, posteriormente, a Moscou.

A presença de Araqchi em Islamabad é, de qualquer forma, um avanço no contexto das negociações de paz, previstas originalmente para a última quarta-feira, mas que ficaram em compasso de espera diante da recusa iraniana de viajar para lá se os EUA não eliminassem antes suas restrições à navegação comercial iraniana e o bloqueio a seus portos.

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