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Manifestantes feridos na Venezuela enfrentam falta de remédios

O procurador estatal da Venezuela disse que 437 pessoas ficaram feridas ao longo de quase um mês de manifestações contra o presidente Nicolás Maduro

Manifestante ferido em protestos: como cerca de 85% dos suprimentos médicos estão indisponíveis, segundo um grupo farmacêutico (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
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Reuters

Publicado em 26 de abril de 2017 às 16h49.

Caracas - Os manifestantes feridos nos protestos de rua frequentemente violentos da Venezuela estão enfrentando uma dificuldade adicional: como obter tratamento em um país em crise onde produtos básicos como antibióticos e analgésicos estão em falta.

O procurador estatal da Venezuela disse que 437 pessoas ficaram feridas ao longo de quase um mês de manifestações contra o presidente Nicolás Maduro, que a oposição acusa de ter se tornado um ditador e arruinar a economia da nação rica em petróleo.

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Balas de borracha disparadas à queima-roupa, pedras, cilindros de gás lacrimogêneo e o próprio gás provocaram a maioria dos ferimentos e problemas de saúde, de acordo com mais de uma dúzia de médicos e grupos de direitos humanos.

A maioria dos feridos parecer ser de manifestantes da oposição, mas os apoiadores de Maduro, forças de segurança e transeuntes também estão procurando tratamento, disseram estas fontes.

Famílias estão transportando parentes feridos para diversos centros de saúde, percorrendo farmácias em busca de medicamentos, arrecadando fundos para comprar remédios mais caros no mercado negro e publicando mensagens em redes sociais nas quais imploram por doações de remédios.

Como cerca de 85 por cento dos suprimentos médicos estão indisponíveis, segundo um grupo farmacêutico destacado, muitos venezuelanos não estão conseguindo obter o tratamento ideal - quando obtêm algum.

Luis Monsalve, de 15 anos, foi atingido no rosto por um cilindro de gás lacrimogêneo durante uma grande passeata na semana passada. Desde então, sua família e seus amigos estão se movimentando para coletar suprimentos necessários para uma cirurgia que lhe permitiria voltar a enxergar com o olho direito.

"Se tivéssemos tudo, eles poderiam tê-lo operado no sábado", disse seu pai, Jose Monsalve, de 67 anos.

A escassez de produtos é uma ironia cruel para alguns manifestantes feridos que estavam protestando justamente contra a escassez crônica, devido à qual pacientes de câncer ficam sem tratamento e milhões de cidadãos se privam de refeições.

O governo de Maduro culpa os manifestantes pela violência dizendo que, sob um semblante de paz, líderes opositores apoiados por Washington estão atiçando os protestos na esperança de aplicar um golpe de Estado.

Para combater a escassez, venezuelanos que moram em cidades como Miami e Madri, cuja maioria partiu devido aos problemas econômicos e à alta criminalidade, estão doando medicamentos.

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