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Maduro anuncia fechamento de sedes diplomáticas da Venezuela no Equador

Invasão em Quito provocou ruptura de relações diplomáticas e recebeu condenação internacional; líder venezuelano classificou caso como 'aberrante'

Na ocasião, o objetivo era prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, que estava asilado no local desde dezembro ( Federico Parra/AFP)

Na ocasião, o objetivo era prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, que estava asilado no local desde dezembro ( Federico Parra/AFP)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 16 de abril de 2024 às 15h39.

Última atualização em 16 de abril de 2024 às 15h50.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta terça-feira a ordem de fechar a embaixada e consulados venezuelanos no Equador em apoio ao México. A medida ocorreu mais de uma semana depois que oficiais equatorianos invadiram a embaixada mexicana em Quito por ordens do presidente Daniel Noboa.

Na ocasião, o objetivo era prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, que estava asilado no local desde dezembro. O caso gerou a ruptura de relações diplomáticas entre México e Equador e recebeu condenação internacional.

"Frente a esse ato aberrante de prepotência do presidente [Daniel] Noboa, anuncio que a Venezuela ordenou o fechamento da Embaixada no Equador, do consulado em Quito e do consulado em Guayaquil", disse Maduro ao participar da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que discute a situação nesta terça-feira. "Dei instruções ao nosso encarregado de negócios para que retorne imediatamente o pessoal diplomático à Venezuela."

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O líder venezuelano também criticou o fato de o presidente equatoriano “não ter dado a cara” na cúpula e, em vez disso, ter deixado sua representação para a chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld. Maduro afirmou que o nome dela ficará “manchado para sempre”. Em referência à fala de Noboa, que disse ter ficado “orgulhoso” do que fez, ele declarou que tratava-se de “mais do que um ato de provocação contra o México e o direito internacional”. Para Maduro, o caso pode ser classificado como “um completo desprezo pelo quadro internacional”.

"O presidente Daniel Noboa deveria ter dado a cara e assumido a responsabilidade perante o mundo", disse Maduro, ressaltando que houve um repúdio unânime da comunidade internacional.

Apoio ao México

O ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, disse nas redes sociais que Maduro havia ordenado "iniciar ações para apoiar a proposta do México de solicitar a expulsão do Equador da ONU". O pedido feito pelo México ocorreu durante a apresentação de uma denúncia perante a Corte de Haia, na semana passada, caso seja comprovado perante o tribunal que os princípios estabelecidos pela carta fundadora da organização foram violados.

Na Venezuela, seis ativistas ligados à opositora María Corina Machado estão refugiados na embaixada argentina em Caracas, acusados de conspiração contra Maduro. Eles estão aguardando salvo-conduto para deixar o país.

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Na mesma reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou um pedido de desculpas por parte do Equador devido à invasão na noite do dia 5 de abril, acrescentando que considerava o episódio sem precedentes. A Venezuela e o Brasil estão entre os 30 países que condenaram a invasão, além dos EUA e da União Europeia. Na época, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar "alarmado" com a situação.

Entenda a crise diplomática

Glas, ex-vice-presidente do Equador e braço direito dos presidentes equatorianos Rafael Correa (2007-2017), asilado na Bélgica, e Lenin Moreno (2017-2021), se refugiou na embaixada mexicana em dezembro do ano passado, onde aguardava um salvo-conduto do governo equatoriano para sair do país. O pedido foi rejeitado pelo presidente, que enviou à polícia para a sede diplomática em Quito sob o argumento de que Glas tinha duas condenações por corrupção.

O ex--vice-presidente deveria cumprir oito anos de prisão por condenações anteriores em dois casos de corrupção. Ele cumpriu cinco, mas foi libertado da prisão 2022 por meio de um recurso de habeas corpus, tendo de comparecer periodicamente à autoridade. Apesar disso, os processos judiciais continuaram, e o político foi convocado pela Justiça no final do último ano para responder por outro caso de corrupção. Foi quando se refugiu na Embaixada do México, antes que os tribunais ordenassem sua prisão.

Sua captura ocorreu horas depois do México tê-lo concedido asilo político. Imagens da invasão à embaixada foram registradas por câmeras de segurança do local e divulgadas na semana passado pelo presidente mexicano, López Obrador. A gravação mostra uma dúzia de policiais armados pulando os muros e entrando na sede após a porta de entrada ser derrubada. Dentro do local, é possível vê-los apontando armas para os funcionários mexicanos enquanto arrastam Glas.

O governo equatoriano defendeu a medida, afirmando que havia solicitado autorização para entrar na embaixada e prendê-lo, o que teria sido recusado pelo México. Quito alega que houve "abuso de imunidades" e privilégios" concedidos à missão diplomática, enquanto o chefe da missão diplomática, Roberto Canseco, afirma tratar-se de "um ultraje". Imagens divulgadas pela imprensa local mostram o chefe da missão sendo impedido de se aproximar dos carros da polícia e caindo em seguida.

A Corte Nacional de Justiça do Equador (CNJ) considerou na última sexta que a captura foi "ilegal e arbitrária", mas manteve Glas preso por penas pendentes. O ex-vice-presidente está na prisão de segurança máxima de La Roca, em Guayaquil (sudoeste), presídio reservado aos criminosos mais perigosos do país. (Com AFP e El País)

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