Libéria suspende emergência por ebola e aguarda testes

No Mali, o último dos países afetados, um novo contágio em uma clínica de Bamako provocou três mortes e deixou várias dezenas de pessoas em observação

Monróvia - A Libéria encerrou nesta quinta-feira o estado de emergência em sua luta contra o ebola, enquanto a organização Médicos sem Fronteiras anunciou que os testes clínicos para tratar a doença neste país e na Guiné começarão em dezembro.

No Mali, o último dos países afetados, um novo contágio em uma clínica de Bamako, através de um paciente vindo da Guiné, provocou três mortes e deixou várias dezenas de pessoas em observação, das quais um dos casos era "muito suspeito", segundo fontes médicas.

Na Libéria, a presidente Ellen Johnson Sirleaf anunciou o fim do estado de emergência instaurado em 6 de agosto no país, devido ao "progresso" da luta contra a epidemia, embora tenha advertido que "a batalha não terminou".

Em pronunciamento transmitido por rádio e televisão, a presidente anunciou a reabertura progressiva de comércios e escolas.

Somando 3.000 dos 5.100 mortos registrados no oeste da África, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Libéria foi o país mais afetado pela epidemia, mas as taxas de contágio da doença vêm diminuindo há mais de um mês.

Os Estados Unidos, que enviou 2.200 militares no país, anunciou que aumentará os efetivos para 3.000 e não os 4.000 estimados inicialmente.

"Nós não percebemos, trabalhando com a Agência Americana de Desenvolvimento (USAID) e com o governo da Libéria, de que ali havia muitas capacidades das quais não conhecíamos a existência", afirmou o general Gary Valesky, chefe do contingente americano.

- Primeiros testes de tratamento em dezembro -

A Organização Médicos sem Fronteiras (MSF) anunciou, nesta quinta-feira, que começará em dezembro a realizar os primeiros testes de três tratamentos contra o ebola em centros de saúde da Guiné e, eventualmente, da Libéria.

Os protocolos destes testes estão em fase final de desenvolvimento e os primeiros resultados poderiam ser conhecidos em fevereiro de 2015, acrescentou a organização.

"É uma colaboração internacional sem precedentes, que representa uma esperança para os doentes de obter um tratamento contra uma doença que mata entre 50% e 80% dos infectados", disse a doutora Annick Antierens, que coordena testes na MSF.

O primeiro teste, supervisionado pela Universidade de Oxford, será realizado no centro ELWA 3 de Monróvia (Libéria) com o medicamento antiviral Brincidofovir, desde que o governo autorize.

"Levar adiante estudos clínicos sobre medicamentos experimentais em meio a uma crise humanitária é uma nova experiência para todos nós", disse o professor Peter Horby, o principal pesquisador do teste desenvolvido pelo ISARIC de Oxford (Consórcio Internacional de Infecções Respiratórias Agudas Severas e Emergentes).

Estão previstos outros dois testes na Guiné: um com supervisão do Instituto Francês para a Saúde, na cidade de Gueckedo, com o medicamento Favipiravir; outro, sob a supervisão do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Antuérpia (Bélgica), utilizando uma terapia à base de sangue e plasma de alguém convalescente.

Este último, que conta com o aval da OMS, consiste em administrar sangue ou plasma que contêm os anticorpos de sobreviventes aos pacientes contaminados.

Os dois medicamentos, o Brincidofovir e o Favipiravir, foram selecionados na lista de tratamentos em potencial contra o ebola, estabelecida pela organização.

"Queremos saber se também é eficaz com o ebola, se é seguro e se é possível ampliar sua utilização para reduzir a quantidade de mortes", explicou Johan van Griensven, coordenador das pesquisas no IMT.

No Mali, os 22 soldados da missão da ONU (Minusma) mantidos em isolamento em uma clínica de Bamako, voltaram a receber cuidados médicos no estabelecimento, que previamente tinha sido abandonado pelo pessoal médico.

Vários profissionais de saúde do oeste da África e da ONG Oxfam exortaram nesta quinta-feira os países do G20 que reforcem a ajuda para conter a epidemia de ebola e denunciaram a falta de meios suficientes no terreno.

A luta contra a propagação do vírus será um dos temas em discussão pelos países do G20 no próximo fim de semana em Brisbane, Austrália.

A Oxfam informou nesta quinta-feira que "quase a metade" dos países do G20 não tinham aportado "sua parte" financeira.

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