Mundo

Lei sobre discriminação no trabalho pode valer para obesos

Lei que barra a discriminação no trabalho contra pessoas incapacitadas na UE pode ser aplicada para indivíduos com obesidade extrema


	Obesidade: obesidade extrema, classificada como IMC acima de 40, pode ser considerada uma incapacidade
 (Robert Lawton/Wikimedia Commons)

Obesidade: obesidade extrema, classificada como IMC acima de 40, pode ser considerada uma incapacidade (Robert Lawton/Wikimedia Commons)

DR

Da Redação

Publicado em 17 de julho de 2014 às 12h10.

Priorizar nos meus resultados Google

Bruxelas - Uma lei da União Europeia que barra a discriminação no trabalho contra pessoas incapacitadas pode ser aplicada para indivíduos com obesidade extrema, disse um conselheiro do principal tribunal da Europa nesta quinta-feira.

A opinião não vinculativa diz respeito à demissão de Karsten Kaltoft, um funcionário de creche, pelo conselho municipal de uma cidade dinamarquesa em 2010.

Kaltoft argumentou que sua obesidade era parte do motivo pelo qual ele perdeu o emprego e que isso resultava em discriminação injusta, uma alegação que a cidade de Billund nega.

O Tribunal de Justiça da União Europeia foi requisitado para opinar sobre se a lei da UE proíbe discriminação contra obesos e se a obesidade pode ser considerada uma incapacidade.

O advogado-geral, que aconselha a corte europeia em Luxemburgo, considerou que a lei da UE não proíbe a discriminação especificamente contra a obesidade, mesmo que ofereça proteção geral contra preconceito em casos de incapacidade.

Mas Niilo Jaaskinen, o advogado-geral, concluiu que obesidade extrema, classificada como índice de massa corporal (IMC) acima de 40, pode ser considerada uma incapacidade. “Se a obesidade alcançou tal grau que dificulta plenamente a participação na vida profissional, então isso pode ser uma incapacidade”, disse Jaaskinen.

O IMC é um indicador de obesidade que leva em consideração o peso e a altura da pessoa. Kaltoft nunca pesou menos de 160 quilos durante o tempo em que esteve no emprego, o que significa que seu IMC era de 54, disse o advogado-geral. As recomendações de advogados-gerais são geralmente seguidas pela corte, que avaliará o caso de Kaltoft nos próximos meses.

Em seu parecer, Jaaskinen disse que mesmo onde a condição não afeta a capacidade de uma pessoa de executar um trabalho específico, ainda assim pode ser difícil ser comparada com outra pessoa, o que, assim, a tornaria uma pessoa com deficiência. Além disso, Jaaskinen descartou a noção de que uma incapacidade “auto-infligida” possa ser menos digna de proteção, dizendo que “a origem da deficiência é irrelevante”. Se a corte da UE mantiver a visão de Jaaskinen, caberia a um tribunal dinamarquês decidir se a obesidade de Kaltoft se encaixa nessa definição.

Acompanhe tudo sobre:EuropaUnião EuropeiaLegislaçãoObesidadeLeis trabalhistas

Mais de Mundo

O que explica a ascensão de James Talarico, democrata à frente nas midterms no Texas

Trump diz que acordo com o Irã 'pode acontecer' após avanço nas negociações

Ataques russos deixam ao menos 24 mortos na Ucrânia após fim de trégua mediada pelos EUA

Às vésperas das eleições nos EUA, Trump pede à Suprema Corte suspensão de 20 mil votos na Califórnia