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Kremlin investigará pedido de boicote a Putin feito por opositor

Nesta terça-feira o Kremlin, que aponta que pesquisas mostram Putin como favorito absoluto e Alexei Navalny muito atrás

O presidente russo Vladimir Putin (Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin/Reuters)

O presidente russo Vladimir Putin (Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin/Reuters)

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Reuters

Publicado em 26 de dezembro de 2017 às 17h53.

MOSCOU (Reuters) - Centenas de celebridades, esportistas e políticos da Rússia indicaram o presidente Vladimir Putin para a reeleição nesta terça-feira, horas depois de o Kremlin ter dito que quer o líder opositor Alexei Navalny investigado por ter pedido um boicote à votação.

Navalny convocou o boicote à eleição de 18 de março na segunda-feira, depois que a comissão eleitoral central da Rússia determinou que ele é inelegível devido a uma pena de prisão suspensa.

O advogado de 41 anos, que afirmou estar sendo excluído devido a acusações falsas porque o Kremlin está ficando assustado, disse que usará sedes de campanha em todo o país para questionar a legitimidade do pleito e organizar protestos.

Nesta terça-feira o Kremlin, que aponta que pesquisas mostram Putin como favorito absoluto e Navalny muito atrás, preparou o terreno para uma possível ação policial contra Navalny e seus apoiadores, cujas manifestações já foram interrompidas. "Os pedidos de boicote exigirão um estudo meticuloso para se ver se estão ou não de acordo com a lei", informou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos repórteres em uma teleconferência.

Recusando-se a comentar a decisão de barrar Navalny, Peskov minimizou as alegações de que a eleição presidencial seria uma farsa sem o líder opositor, que criou fama capitalizando as redes sociais e realizando investigações de corrupção de autoridades de primeiro escalão. "O fato de que um dos pretensos candidatos não está participando não afeta a legitimidade da eleição", disse Peskov.

Horas depois Putin, de 65 anos, foi celebrado por seus apoiadores, quase 700 dos quais prometeram apoiá-lo para a reeleição - mais do que os 500 exigidos para iniciar uma candidatura à Presidência.

A agenda do próprio Putin estava cheia demais para que ele comparecesse ao evento de indicação em Moscou, segundo o Kremlin, mas ele deve apresentar a documentação necessária à comissão eleitoral central pessoalmente nos próximos dias. O ex-agente da KGB está concorrendo como independente, uma medida vista como uma forma de fortalecer sua imagem de "pai da nação", ao invés de um representante da política partidária.

O partido governista, Rússia Unida, e o Simplesmente Rússia declararam seu apoio ao presidente. Se, como esperado, ele conquistar a reeleição, Putin, que domina o cenário político russo há 17 anos, poderá cumprir mais um mandato de seis anos até 2024, quando completa 72 anos.

A União Europeia também questionou a decisão de impedir Navalny de concorrer. "(Ela) lança uma dúvida séria sobre o pluralismo político na Rússia e a perspectiva de eleições democráticas no ano que vem", disse o Serviço de Ação Externa da UE (EEAS), em um comunicado.

"Acusações politicamente motivadas não deveriam ser usadas contra a participação política", disse o EEAS, que exortou as autoridades russas a "fazerem com que exista espaço para a disputa" em todas as eleições russas (Reportagem adicional de Denis Pinchuk em Moscou e Robin Emmott em Bruxelas)

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