Irã ameaça ultrapassar limite permitido de urânio enriquecido em 10 dias

O Irã afirmou que os países europeus ainda têm tempo de salvar o acordo nuclear de 2015, que foi abandonado pelos EUA no ano passado
O Irã espera que os países europeus adotem medidas para blindar suas relações comerciais das sanções americanas (Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images)
O Irã espera que os países europeus adotem medidas para blindar suas relações comerciais das sanções americanas (Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images)
Por ReutersPublicado em 17/06/2019 10:14 | Última atualização em 17/06/2019 10:17Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Dubai — O Irã informou nesta segunda-feira que violará limites combinados internacionalmente para o estoque de urânio de baixo enriquecimento do país em 10 dias, uma medida que deve agravar as tensões já elevadas com os Estados Unidos, mas acrescentou que nações europeias ainda têm tempo de salvar um acordo nuclear histórico.

As tensões entre Estados Unidos e Irã estão se deteriorando desde as acusações do governo do presidente Donald Trump de que forças iranianas atacaram dois navios-tanques no Golfo de Omã, uma rota vital de transporte de petróleo, na quinta-feira. O Irã nega a alegação.

"Quadruplicamos o índice de enriquecimento e até o aumentamos mais recentemente, de forma que em 10 dias ele ultrapassará o limite de 300kg", informou o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behrouz Kamalvandi, na televisão estatal.

Kamalvandi acrescentou: "Ainda há tempo para os europeus... mas os europeus expressaram indiretamente sua incapacidade de agir. Eles não deveriam pensar que depois de 60 dias (prazo estabelecido pelo Irã em maio) terão outra oportunidade de 60 dias".

França, Reino Unido e Alemanha, os signatários da Europa Ocidental, defenderam o acordo nuclear por vê-lo como a melhor maneira de limitar o enriquecimento de urânio iraniano.

O Irã criticou diversas vezes os atrasos na criação de um mecanismo europeu que blindaria o comércio com o país das sanções dos EUA na tentativa de salvar o pacto nuclear.

Os EUA e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acreditam que o Irã tinha um programa de armas nucleares que abandonou, mas Teerã nega tê-lo tido algum dia.