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Guiana prepara novo gasoduto e quer ir além do petróleo

País viu sua economia crescer rapidamente com a venda de petróleo, que disparou nos últimos anos

Petróleo na Guiana: empresa ExxonMobil, que atua com petróleo no país, deve se envolver em projeto de gás (Joaquin Sarmiento/AFP)

Petróleo na Guiana: empresa ExxonMobil, que atua com petróleo no país, deve se envolver em projeto de gás (Joaquin Sarmiento/AFP)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 15h02.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 15h06.

Aproveitando a alta na renda trazida pela exploração de petróleo, a Guiana está se preparando para investir em outras áreas-chave para potencializar sua economia, incluindo gás natural.

O país vem se consolidando no setor do petróleo. Ao explorar reservas no mar, se tornou a nação que mais cresce no mundo e chegou a "premiar" os moradores com pagamentos em dinheiro.

A Guiana constrói atualmente um novo gasoduto, que levará gás natural dos campos de petróleo em águas profundas até a costa, onde o produto será usado para gerar energia e em outros projetos de desenvolvimento.

O projeto em Berbice, será finalizado “muito em breve”, disse o presidente Irfaan Ali na Conferência de Energia da Guiana, em Georgetown, na terça-feira, 17.

No evento, a Guiana também anunciou a construção de uma hidroelétrica de 165 megawatts na cachoeira de Amaila Falls.

Segundo o presidente da Guiana, Irfaan Ali, a Guiana deve investir nas áreas de energia, gás natural e gás de cozinha para atender as demandas das indústrias de petróleo e gás que continuam se expandindo.

De acordo com Ali, o país busca investimento para dois novos aeroportos internacionais, além de realizar tratativas com o Suriname para um projeto de integração de petróleo em alto-mar.

Parceria com ExxonMobil

O crescimento na Guiana chamou a atenção de empresas como a ExxonMobil, que se declarou comprometida com o acelerado desenvolvimento de gás natural da Guiana, mas desde que o governo do país se comprometa com projetos industriais.

O governo da Guiana pressiona há tempos a Exxon a elaborar e construir projetos que utilizem gás natural, incluindo plantas petroquímicas e possíveis data centers, em um esforço para diversificar o setor de energia do país além do petróleo.

A Exxon lidera o consórcio de petróleo responsável pela operação do Bloco Stabroek no país, que é operado com a também americana Chevron e a chinesa CNOOC.

O presidente de exploração e produção de petróleo da Exxon, Dan Ammann, também falou na conferência na última terça-feira, 17. Segundo relatou a Reuters, Ammann disse que um gasoduto construído pela empresa estava pronto para fornecer gás à Guiana e aguardava a conclusão das usinas de energia ainda este ano.

Em entrevista à Reuters, Ammann afirmou que a oferta e a demanda de gás natural precisam ser desenvolvidas em conjunto e que a Exxon mantém discussões próximas com o governo guianense sobre o desenvolvimento de usos industriais de gás onshore, dizendo que podem "atender as demandas" da Guiana.

Alta do petróleo na Guiana

A Guiana se tornou uma das economias de maior crescimento do PIB nos últimos anos, devido à sua exploração de petróleo. A alta foi de 63,3% em 2022, 33,8% em 2023, 43,8% em 2024 e de 19,3% em 2025.

Embora a promessa do petróleo da Guiana venha gerando expectativas há anos, os acontecimentos na Venezuela intensificaram a atenção na região. Desde a invasão pelos Estados Unidos na Venezuela, o presidente norte-americano Donald Trump pediu US$ 100 bilhões em investimentos para reativar o setor petrolífero da Venezuela.

Esse desdobramento tem o potencial de suavizar uma disputa fronteiriça de longa data que levou o governo guianense e um consórcio petrolífero liderado pela Exxon Mobil a interromper a exploração em cerca de 30% do Bloco Stabroek.

Henry Ziemer, pesquisador associado do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse na Conferência de Energia da Guiana que as chances de conflitos políticos entre os dois países, pelo menos por enquanto, são muito baixas e classificou a Guiana como o país que pode tirar o maior proveito da remoção de Nicolás Maduro do poder da Venezuela.

O CEO da Exxon, Darren Woods, disse no mês passado que a captura e remoção de Maduro pelos EUA pode levar a melhores condições operacionais na Guiana.

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