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Guerra na Ucrânia: Zelensky pede pressão máxima sobre a Rússia às vésperas de conversa com EUA

Líder ucraniano critica “frota fantasma” do petróleo russo e defende bloqueio total de receitas que financiam o conflito.

Presidente da Ucrânia pressiona aliados por medidas mais duras contra Moscou enquanto delegações retomam diálogo para tentar encerrar a guerra. (Toby Melville/AFP)

Presidente da Ucrânia pressiona aliados por medidas mais duras contra Moscou enquanto delegações retomam diálogo para tentar encerrar a guerra. (Toby Melville/AFP)

Ana Dayse
Ana Dayse

Colaboradora

Publicado em 22 de março de 2026 às 13h56.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, defendeu neste domingo, 22, o endurecimento das sanções contra a Rússia às vésperas do segundo dia de negociações entre delegações de Kiev e de Washington para tentar encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em larga escala há quatro anos.

As conversas, retomadas no sábado na Flórida, ocorrem sem a presença de representantes russos — que eram inicialmente esperados em uma rodada prevista para Abu Dhabi. A delegação norte-americana é liderada pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

Pressão sobre o petróleo russo e “frota fantasma”

Em publicação na rede social X, Zelensky afirmou que é essencial ampliar a pressão econômica sobre Moscou, especialmente contra a chamada “frota fantasma” — rede de navios utilizada para exportar petróleo russo apesar das sanções ocidentais.

Segundo o presidente ucraniano, as receitas do petróleo garantem à Rússia recursos para manter o conflito. “A pressão deve continuar e as sanções precisam funcionar”, escreveu.

Na última semana, a Marinha francesa apreendeu um petroleiro no Mediterrâneo Ocidental que, segundo o presidente Emmanuel Macron, integrava essa estrutura paralela de transporte de óleo russo. O esquema tem sido apontado como um dos principais mecanismos para sustentar as exportações energéticas de Moscou diante das restrições impostas por países europeus e pelos Estados Unidos.

Plano de paz inclui eleições e concessões territoriais

Entre os pontos discutidos na proposta de paz defendida por Washington estão a realização de eleições presidenciais na Ucrânia e possíveis concessões territoriais.

O mandato de Zelensky expirou, mas a legislação ucraniana proíbe eleições em período de guerra. O presidente já declarou que o país estaria disposto a convocar eleições caso os EUA garantam um cessar-fogo de ao menos dois meses, tempo considerado necessário para organizar a infraestrutura e estabelecer garantias de segurança.

O debate ganhou novo capítulo após declarações do ex-comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Valeriy Zaluzhnyi, atual embaixador no Reino Unido e apontado como possível candidato à Presidência.

Em artigo publicado neste domingo pelo veículo NV, Zaluzhnyi afirmou que o país precisa de “paz conquistada pela guerra”, e não de eleições imediatas.

Segundo ele, a prioridade deve ser assegurar um desfecho que garanta estabilidade e segurança às próximas gerações.

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