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Greve geral na Argentina pode gerar perda de R$ 3 bilhões em 1 dia

Paralisação afeta transporte, comércio e serviços no dia em que a Câmara debate projeto já aprovado pelo Senado

Argentina: greve geral paralisa aeroportos, comércios e transporte público. (Luis ROBAYO / AFP via Getty Images)

Argentina: greve geral paralisa aeroportos, comércios e transporte público. (Luis ROBAYO / AFP via Getty Images)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 12h55.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 13h04.

A Argentina enfrenta nesta quinta-feira, 19, a quarta greve geral em dois anos de governo de Javier Milei, em protesto contra a reforma trabalhista que o Executivo tenta aprovar no Congresso.

A paralisação ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados debate o projeto, já aprovado pelo Senado, em meio a forte resistência sindical e mobilização nas ruas.

De acordo com estimativas do Instituto de Economia da Universidade Argentina da Empresa (UADE) e do Ministério da Economia, o custo econômico da greve é de cerca de US$ 575 milhões — quase R$ 3 bilhões —, o equivalente a 0,8% do PIB de fevereiro.

A proposta, classificada pela central sindical como “regressiva e inconstitucional”, reduz indenizações, amplia a jornada de trabalho para até 12 horas e limita o direito de greve. O governo sustenta que as mudanças vão reduzir a informalidade — que atinge mais de 40% do mercado de trabalho — e estimular a criação de empregos, com menor carga tributária sobre os empregadores.

Contexto da greve

A greve de 24 horas começou à meia-noite e foi amplamente acatada por sindicatos. Em Buenos Aires, poucas linhas de ônibus circularam quase vazias, enquanto o trânsito de carros particulares ficou acima do normal.

Supermercados, farmácias e comércios mantiveram as portas fechadas nas primeiras horas do dia. Estações de trem e pontos de transporte coletivo registraram movimento reduzido.

O debate da reforma na Câmara está previsto para começar às 14h (horário local, o mesmo de Brasília). Sindicatos e partidos de oposição convocaram manifestações em frente ao Congresso. Um artigo que reduzia pela metade o salário em caso de doença foi retirado do texto pela base governista. O governo tenta concluir a tramitação antes de 1º de março, quando Milei fará um discurso no Congresso.

Se aprovadas na Câmara, as mudanças retornam ao Senado, que poderá votar o texto na próxima semana. A proposta integra o pacote de reformas que o governo pretende aprovar na segunda metade do mandato, após a vitória nas eleições legislativas de outubro e a redução da inflação para 32% em 12 meses.

A paralisação ocorre em um cenário de retração da atividade industrial. Segundo fontes sindicais, mais de 21 mil empresas fecharam nos últimos dois anos, com perda de cerca de 300 mil postos de trabalho.

O caso mais recente citado é o da Fate, fábrica de pneus que anunciou o fechamento de sua fábrica em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, atribuindo a decisão à queda de competitividade com a abertura das importações.

O impacto também atingiu o setor aéreo. Mais de 400 voos foram cancelados, afetando mais de 64 mil passageiros e cargas, segundo a Câmara de Linhas Aéreas na Argentina; a Aerolíneas Argentinas reprogramou 255 voos. Trabalhadores portuários paralisaram embarques em terminais como o de Rosário, um dos maiores portos agroexportadores do país.

Convocação de greve

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical do país, lidera a greve, com adesão de sindicatos e da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA).

Serviços essenciais, como a saúde pública, registram interrupções parciais. O governo informou que descontará o dia de salário de funcionários públicos que aderirem à paralisação e intimou trabalhadores do transporte a se absterem de ações diretas.

Na semana passada, manifestações contra o projeto terminaram em confrontos e cerca de 30 pessoas foram detidas. O governo divulgou um comunicado alertando a imprensa sobre o “risco” de cobrir os protestos e delimitou uma “zona exclusiva” para jornalistas nas imediações da Praça do Congresso.

O Ministério da Segurança afirmou que as forças atuarão diante de episódios de violência e recomendou que profissionais de imprensa evitem se posicionar entre manifestantes e forças de segurança.

*Com informações da AFP e EFE 

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