Funcionários municipais limpam ruas de Paris após protestos contra o alto custo de vida: manifestações terminaram em saques, incêndios e confrontos na França (Matthieu RONDEL / AFP/AFP Photo)
Redação Exame
Publicado em 7 de novembro de 2026 às 15h01.
Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas da França neste sábado, 7, no quarto fim de semana consecutivo de manifestações por aumento de salários e melhores condições nas escolas de ensino médio. O governo marcou reuniões com sindicatos, representantes patronais e organizações estudantis para a próxima semana. As informações são da AFP.
Segundo as autoridades, os atos reuniram 146 mil pessoas em todo o país. Os organizadores estimaram a participação de 250 mil manifestantes.
A mobilização ocorre em meio a um fim de mandato marcado por protestos para o presidente de centro-direita, Emmanuel Macron. A cerca de seis meses da eleição de seu sucessor, a líder da extrema-direita Marine Le Pen aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto.
Em Paris, os manifestantes percorreram o centro da cidade, entre as praças da República e da Nação. A marcha teve clima festivo, mas terminou com uso de gás lacrimogêneo pela polícia para dispersar agitadores. Também houve confrontos com as forças de segurança em outras cidades, como Bordeaux.
“Hoje é uma data que permite manter a pressão”, afirmou Sabrine Kharbach, porta-voz da União Estudantil.
Segundo Kharbach, sindicatos da educação convocaram uma nova greve e manifestações para terça-feira.
Na quinta-feira, os protestos reuniram entre 575 mil e 1,6 milhão de pessoas, conforme as diferentes estimativas. Os participantes cobraram melhores salários e recuperação do poder de compra, além de demonstrar apoio às reivindicações dos estudantes.
Desde meados de setembro, os alunos denunciam falta de professores, deterioração das instalações escolares e pouca transparência no sistema de ingresso nas universidades.
Após os atos de quinta-feira, o governo anunciou uma “conferência social” para segunda-feira. O encontro terá a participação de sindicatos e representantes patronais e discutirá salários e poder aquisitivo.
Reuniões com organizações estudantis também estão previstas para o mesmo dia.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, voltou a mobilizar 70 mil agentes para evitar a repetição das cenas de caos registradas em 17 de outubro. Apesar do reforço, as autoridades avaliaram que a participação nos protestos estava “claramente em queda”.
Diferentemente dos sábados anteriores, o movimento dos coletes amarelos realizou um ato separado. O grupo protagonizou manifestações que abalaram o primeiro mandato de Macron, em 2018 e 2019.
Em Paris, os coletes amarelos convocaram uma concentração na Praça da Concórdia, próxima à sede da Presidência francesa, apesar da proibição policial.
Dezenas de pessoas compareceram ao local. Um dos líderes do movimento foi detido nas proximidades da Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento francês, segundo uma jornalista da AFP.