EUA planeja suspender importação de petróleo russo nesta semana, diz fonte

Segundo fontes, a Casa Branca decidiu pela proibição de importações de petróleo russo pelos EUA, mesmo sem a adesão de aliados na Europa
Refinaria de petróleo nos EUA: falta de importações russas seria desafio para os preços no país (Bing Guan/Bloomberg)
Refinaria de petróleo nos EUA: falta de importações russas seria desafio para os preços no país (Bing Guan/Bloomberg)
Por Da redação, com agênciasPublicado em 08/03/2022 11:13 | Última atualização em 08/03/2022 11:52Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Os Estados Unidos podem anunciar a suspensão das importações de petróleo da Rússia ainda nesta terça-feira, disse à Reuters uma fonte familiarizada com o assunto nesta terça-feira, 8.

Em entrevista à CNN, o senador democrata Chris Coons também confirmou que a Casa Branca provavelmente proibirá as importações de petróleo russo e está trabalhando em estreita colaboração com aliados europeus na questão. Segundo Coons, o anúncio pode ocorrer na terça ou quarta-feira.

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O jornal The Washington Post também publicou nesta manhã que recebeu confirmação de duas fontes afirmando que a Casa Branca planeja de fato barrar as importações.

Na semana passada, autoridades discutiram com representantes da indústria de petróleo e gás dos EUA como uma proibição poderia afetar os consumidores americanos e o fornecimento global de energia. 

No Congresso americano, parlamentares de ambos os partidos se movimentam para aprovar projetos de lei que impedem importações de petróleo da Rússia, a fim de punir o Kremlin pela invasão da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, a decisão pode ter alto custo político para o Partido Democrata à medida que se aproximam eleições legislativas neste ano. Maior consumidor de combustíveis do mundo, os EUA vivem sua pior inflação em 40 anos com os preços altos do petróleo no mercado internacional, e a popularidade do presidente Joe Biden tem caído com a alta dos preços

Preço do petróleo dispara

A guerra na Ucrânia tem feito os preços do petróleo no mercado internacional subirem para patamares recorde. Na manhã desta terça-feira, o barril do tipo Brent era negociado a US$ 130, e chegou perto de US$ 140 no pregão de ontem. Os preços são os maiores ao menos desde 2008.

Nesta semana, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, disse que o preço pode chegar a mais de US$ 300 por barril se Europa e EUA barrarem importações russas.

"A rejeição do petróleo russo levaria a consequências catastróficas para o mercado global", disse.

Biden realizou nos últimos dias uma videoconferência com os líderes de França, Alemanha e Reino Unido.

Nas conversas, o presidente americano tem pressionado pelo apoio dos europeus à proibição do petróleo russo, segundo reportou a agência Reuters.

Se necessário, os Estados Unidos estariam também dispostos a seguir em frente sem aliados na Europa, conforme disseram à Reuters duas pessoas familiarizadas com o assunto.

Riscos globais

Muitos países europeus dependem fortemente da energia russa, o que é um empecilho a sanções mais duras. Recentemente, a Alemanha, onde 40% do gás natural usado na indústria e para energia elétrica vem da Rússia, já travou a autorização para o gasoduto Nord Stream 2 (que aumentaria o fluxo de gás natural russo que chega à Europa).

Mas a Rússia ameaça bloquear também o envio de gás via Nord Stream 1 em retaliação às sanções do Ocidente, o que poderia gerar uma crise de energia na Europa.

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden: alta nos preços dos combustíveis tem levado a inflação recorde no país (Bloomberg/Getty Images)

O bloqueio de importações de combustíveis russos é um dos maiores riscos globais precificados nos mercados neste momento. A Rússia é o terceiro maior produtor global de petróleo e outros líquidos derivados, e membro da OPEP+, organização dos principais países produtores.

Analistas apontam que outros grandes produtores, como os países do Oriente Médio, a Venezuela ou o próprio Brasil, podem não conseguir aumentar rapidamente sua oferta de combustíveis de modo a suprir a demanda global - o que tem levado ao aumento dos preços.

Há risco tanto de mais inflação em todos os países quanto de uma desaceleração na atividade econômica, que vinha sendo retomada após dois anos de pandemia.

Para o Brasil, o aumento no preço internacional do petróleo também afeta a inflação local, que, mesmo antes da guerra, foi em 2021 uma das mais altas desde o plano real - o IPCA, principal índice de referência, fechou o ano com inflação de 10,06%. Os combustíveis subiram ainda mais do que o índice geral, com altas de mais de 30% ou 40% ao longo do ano passado.

Na frente de exportação de óleo cru, por outro lado, a Petrobras tende a ter ganhos com o preço recorde. O Brasil é um dos dez maiores produtores de petróleo e outros líquidos do mundo, e a extração tem batido recordes nos últimos dois anos com a exploração do pré-sal.

Com Reuters e Bloomberg

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