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EUA e Colômbia anunciam acordo de cooperação para combater imigração irregular e narcotráfico

Parceria inclui instalação de sistemas de identificação biométrica e compartilhamento de dados de migrantes com Washington

Agência o Globo
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Publicado em 27 de março de 2025 às 21h19.

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Os Estados Unidos e a Colômbia assinaram um acordo de cooperação nesta quinta-feira para conter a migração irregular e combater o crime organizado. A parceria foi firmada durante uma visita oficial a Bogotá da secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, e prevê, entre outras coisas, compartilhamento de dados de migrantes que cruzarem o país andino.

Noem se reuniu com a ministra das Relações Exteriores Laura Sarabia na manhã de quinta-feira e, mais tarde, encontrou com o presidente Gustavo Petro e com membros da polícia para discutir os esforços de combate ao narcotráfico.

Após uma discussão que Noem classificou como "franca e sincera”, os países assinaram uma declaração de intenções conjunta em que os EUA se comprometem a apoiar a instalação de sistemas de identificação biométrica na Colômbia — que nos últimos anos se tornou uma importante rota migratória rumo aos Estados Unidos. Segundo o documento, os dados deverão ser compartilhados com o governo de Donald Trump em contrapartida.

A proposta é similar ao modelo que vem sendo adotado no Panamá, ponto final da travessia feita por imigrantes que a atravessam a selva de Darién vindos da Colômbia. Uma das principais críticas das autoridades panamenhas é a falta de controle sobre quem entra na floresta do lado colombiano — cuja rota é operada pelo Clã do Golfo, maior organização criminosa do país. Ao chegar no Panamá, migrantes são identificados pelas autoridades por meio desses sistemas. A ausência de registros de entrada, porém, prejudica a verificação de indicadores importantes, incluindo número de mortes e desaparecimentos no local.

O acordo firmando nesta quinta-feira abre caminho para o estabelecimento de um controle maior do lado colombiano no momento em que o fluxo migratória pela selva caiu vertiginosamente desde a chegada de Trump na Casa Branca. Em 2023, as travessias por Darién atingiram recorde de 500 mil em um ano. Este mês, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, anunciou o "fechamento" do corredor.

Segundo a chanceler colombiana, o objetivo do acordo é “ajudar o povo colombiano a detectar e impedir que criminosos e terroristas tentem cruzar suas fronteiras”. Ele “reafirmará nossa parceria forte, resistente e duradoura” em questões de segurança pública, tráfico de drogas e contrabando de migrantes, acrescentou durante uma coletiva conjunta ao final do encontro .

— Estamos comprometidos em trabalhar lado a lado com nossos parceiros colombianos para melhorar não apenas a segurança das fronteiras, mas também para apoiar a aplicação de nossas leis criminais — disse Noem.

Por outro lado, Sarabia também enfatizou a importância de reconhecer que “os direitos humanos e a dignidade dos migrantes são de fato respeitados”, ecoando o discurso do presidente colombiano, Gustavo Petro.

Esta é primeira reunião entre autoridades de alto nível dos dois países desde que divergências em relação às deportações levaram a uma disputa diplomática e tarifária entre Trump e Petro em janeiro. Na ocasião, o líder colombiano rejeitou um voo militar dos EUA que transportava deportados após alegar maus-tratos a cidadãos colombianos, muitos dos quais chegaram algemados. Em resposta, Trump ameaçou suspender vistos e impor tarifas ao país, um aliado histórico de Washington. Em resposta, Petro acusou Trump de defender uma “tese fascista” ao “criminalizar” os migrantes, mas logo depois recuou da medida e concordou em aceitar os voos.

A reunião diplomática desta quinta-feira, porém, foi em termos amigáveis.

— Agradecemos ao presidente e sua equipe (...) por trabalhar para facilitar a repatriação de cidadãos colombianos para seu país — disse a secretário de segurança de Trump.

Já a chanceler classificou o acordo como “mais um passo adiante” na “consolidação” de uma relação “amigável” entre as nações. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial da Colômbia e seu maior aliado na luta contra o tráfico de drogas no país, líder mundial na produção de cocaína.

A viagem à Colômbia é a segunda parada de uma tour pela América Latina iniciada por Noem em El Salvador na quarta-feira, onde visitou a prisão de segurança máxima em que mais de 200 venezuelanos deportados dos Estados Unidos estão sendo mantidos. Washington alegou, sem apresentar provas até o momento, que eles eram membros da gangue venezuelana Tren de Aragua, e usou a controversa Lei do Inimigo Estrangeiro como base para a deportação sumária.

Após passagem por Bogotá, Noem continuará sua turnê latino-americana no México, outro país crucial na estratégia americana de conter o narcotráfico e o fluxo migratório na fronteira. Ela se reunirá com a presidente Claudia Sheinbaum na sexta-feira, no momento em que seu governo tenta negociar com a Casa Branca para compensar as ameaças tarifárias de Trump. Apesar dos esforços de Sheinbaum, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre as importações de automóveis na quarta-feira.

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