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EUA denunciam antissemitismo europeu e ataques do EI

País alega um aumento considerável do antissemitismo na Europa e identificam os ataques do EI contra grupos religiosos como uma tendência preocupante


	"As minorias religiosas deveriam ter os mesmos direitos que as maiorias", disse John Kerry, secretário de Estado americano
 (AFP/ Fabrice Coffrini)

"As minorias religiosas deveriam ter os mesmos direitos que as maiorias", disse John Kerry, secretário de Estado americano (AFP/ Fabrice Coffrini)

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Da Redação

Publicado em 14 de outubro de 2015 às 15h45.

Washington - Os Estados Unidos denunciaram nesta quarta-feira que o antissemitismo aumentou consideravelmente na Europa Ocidental em 2014 e identificaram as ações de organizações jihadistas - como o Estado Islâmico (EI) e o Boko Haram - contra grupos religiosos como a tendência mais preocupante em respeito à liberdade de culto.

Esses são os dois fenômenos de destaque no relatório anual sobre a liberdade religiosa no mundo publicado pelo Departamento de Estado dos EUA hoje, mas relativo ao ano passado.

"As minorias religiosas deveriam ter os mesmos direitos que as maiorias", disse o secretário de Estado americano, John Kerry, durante a apresentação do relatório.

O documento destaca que França e Alemanha viveram ao longo de 2014 "uma onda de sentimento contra Israel que cruzou a linha em direção ao antissemitismo".

"O auge do antissemitismo na Europa Ocidental em 2014 fez com que muitos questionassem a viabilidade das comunidades judaicas nesses países", indica o relatório.

Apesar da maioria dos incidentes terem sido discursos de incitação ao ódio e profanação de instituições ou monumentos, outros foram violentos, como o atentado ao Museu Judeu de Bruxelas, na Bélgica, em maio do ano passado, quando morreram quatro pessoas.

O responsável do Departamento de Estado para a Liberdade Religiosa, David Saperstein, alertou também para um certo sentimento antimuçulmano em parte da Europa. Em declarações aos jornalistas, ele pediu que os governos não discriminem os refugiados que estão chegando ao continente em razão de sua fé islâmica.

O relatório destaca o crescimento de atores não governamentais que atacam liberdades religiosas e "teriam cometido alguns dos abusos de direitos humanos mais desprezíveis do ano passado".

No Iraque e na Síria, afirma o documento, o EI "tratou de eliminar os membros de qualquer grupo que considerasse fora de sua violenta e destrutiva interpretação própria do Islã, provocando o deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas e realizando execuções maciças".

Esse cenário foi agravado pelo presidente sírio, Bashar al Assad, que, segundo os EUA, "promoveu uma narrativa sectária" no país e não atuou para "deter os ataques do EI contra grupos religiosos".

Na bacia do lago Chade, que compreende regiões de Nigéria, Camarões, Chade e Níger, os radicais islâmicos do Boko Haram "perseguiram deliberadamente cristãos e muçulmanos que denunciaram ou se opuseram à ideologia extremista do grupo".

O Departamento de Estado dos EUA destaca o sequestro em abril do ano passado de mais de 200 meninas, em sua maioria cristã, na cidade de Chibok (na Nigéria), que se transformaram em escravas do Boko Haram e foram convertidas à força ao Islã.

O documento condena também a aplicação de leis sobre blasfêmia e apostasia no Paquistão, Sudão e na Arábia Saudita, além da "execução, detenção, assédio e discriminação" de minorias no Irã.

Também denuncia a repressão de igrejas cristãs e as repressões aos muçulmanos uigures e aos budistas tibetanos na China, assim como a "limitação da liberdade de expressão relativa à religião" na Índia. 

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