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Espionagem e incêndio misterioso: bomba no consulado chinês em Houston

Queima de documentos em pleno jardim do consulado chinês em Houston e acusações de espionagem viram bomba nas relações entre a China e os EUA

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A China na berlinda: na Índia, protestos contra o país aumentam em razão de conflitos crescentes com os chineses (Amit Dave/Reuters)

A China na berlinda: na Índia, protestos contra o país aumentam em razão de conflitos crescentes com os chineses (Amit Dave/Reuters)

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Carla Aranha

Publicado em 22 de julho de 2020 às, 09h54.

Última atualização em 22 de julho de 2020 às, 10h34.

O fechamento do consulado da China em Houston, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 22, inicia um novo capítulo na guerra fria entre as duas maiores potências mundiais. Até agora, os embates se limitaram a disputas comerciais, com o aumento de tarifas sobre produtos chineses, iniciado pelo presidente Donald Trump e revidado pelo governo chinês.

Agora, a situação mudou de figura. No meio diplomático, o fechamento do consulado chinês em Houston, uma das maiores cidades americanas, é interpretado como um sinal de uma escalada bastante significativa (e preocupante) das tensões entre a China e os Estados Unidos.

A temperatura começou a esquentar quando alguns chineses foram vistos (e filmados) fazendo várias fogueiras com pilhas de papel no jardim da construção onde funciona o consulado chinês em Houston, na terça-feira, 11, logo depois que a China foi formalmente avisada sobre o iminente encerramento das atividades consulares.

O incêndio chamou a atenção da vizinhança e os bombeiros foram chamados, mas eles foram proibidos de entrar no local.

O governo americano suspeita que os papeis que viraram fumaça possam ser documentos relacionados a ações de espionagem sobre a vacina para o coronavírus que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos.

A situação esquentou mais ainda na terça-feira, dia 21, quando o departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou o governo chinês de patrocinar dois hackers chineses que estariam espionando e roubando dados de laboratórios americanos e de outros 11 países que estão na corrida pela criação da vacina do coronavírus.

A Guerra Fria entre as duas maiores potências mundiais vem ganhando contornos mais dramáticos já há algum tempo. Além da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que começou em 2018, os dois países vêm disputando a liderança global econômica e geopolítica. Agora, há também a guerra tecnológica. Nesta terça, o governo chinês organizou um grande simpósio com os maiores empresários do país para acelerar a competição com companhias de tecnologia americanas.

No campo militar, a situação também está esquentando. A China tem acusado publicamente os Estados Unidos de tentar sabotar a estabilidade no Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, o governo chinês aumentou o controle sobre Hong Kong, um território semiautônomo, e tem ameaçado invadir Taiwan, cujo litoral é protegido pelas forças de segurança americanas.

O fechamento do consulado em Houston coloca ainda mais lenha ness fogueira. A expectativa é que, como é comum no meio diplomático, a China revide a resolução americana de fechar a representação chinesa em Houston, exigindo o encerramento das atividades de algum consulado americano na China.

Para os diplomatas que estão acompanhando de perto os últimos acontecimentos, se parar por aí já está de bom tamanho. O temor é que a guerra fria entre as duas maiores potências do mundo possa se tornar um conflito de maiores proporções. Só resta aguardar.

 

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