A guerra fria escalou: EUA ordena que China feche consulado em Houston

É o movimento mais incisivo contra os chineses tomado pelo governo de Donald Trump. Pequim promete retaliar

O departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira que ordenou na noite de ontem que a China feche seu consulado em Houston, no Texas. A resposta foi imediata: Pequim afirmou que tomará medidas firmes em resposta, a não ser que a decisão seja revertida imediatamente. É o movimento mais incisivo contra os chineses tomado pelo governo de Donald Trump após uma sucessiva escalada nas ameaças nos últimos meses.

Morgan Orgatus, a porta-voz do departamento de Estado americano, afirmou que o fechamento do consulado foi ordenado para “proteger propriedade intelectual americana e informações pessoais de seus cidadãos”. Segundo Orgatus, a Convenção de Viena, que rege a postura de corpos diplomáticos, afirma que eles têm o dever de não interferir em assuntos internos dos países. Orgatus disse ainda que Washington não vai tolerar que a China intimide os cidadão americanos, assim como não tolera práticas comerciais injustas, roube empregos americanos e adote outros comportamentos condenáveis.

Wang Wenbin, porta-voz do ministério das relações exteriores da China, afirmou que a ordem americana é “uma provocação unilateral”. “A China demanda que os Estados Unidos imediatamente recuem de sua decisão errática, ou a China tomará medidas legítimas e necessárias como resposta”. A ordem de fechamento do consulado, segundo a China, teria que ser cumprida em até 72 horas.

Segundo o jornal The Wall Street Journal, bombeiros e policiais foram chamados na noite de terça-feira após chamadas apontarem chamas vistas dentro do consulado de Houston. Imagens aéreas mostraram o que parecia ser pessoas queimando documentos dentro da propriedade chinesa, numa possível reação à ordem americana de saída.

A medida anunciada hoje é mais um passo no cerco de Trump contra Pequim. O governo americano passou a exigir que jornalistas de veículos estatais chineses se registrem como diplomatas. Trump também estuda proibir viagens de membros do partido Comunista da China e suas famílias, num ato que poderia afetar 270 milhões de pessoas.

Nos últimos meses Trump tem chamado o novo coronavírus de “vírus chinês”, e culpado Pequim por supostas respostas erráticas ao vírus. Ontem, porém, ele mesmo reconheceu que a pandemia nos Estados Unidos ainda vai piorar antes de melhorar, num momento em que as mortes diárias no país voltaram a passar de mil.

Os dois países estão envolvidos em uma série de batalhas comerciais, e seguem adiando a assinatura de um novo acordo. Trump recentemente afirmou que foi decisivo numa decisão britânica de banir o conglomerado chinês de tecnologia das negociações da rede 5G no país. O Reino Unido nega.

A escalada na guerra fria levou a bolsa de Hong Kong a fechar em queda de 2% e fez os principais índices europeus abrirem em queda nesta quarta-feira.

Você já leu todo conteúdo gratuito deste mês.

Assine e tenha o melhor conteúdo do seu dia, talvez o único que você precise.

Já é assinante? Entre aqui.

Deseja assinar e ter acesso ilimitado?

exame digital

R$ 15,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis
Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.