espanha (Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de abril de 2026 às 08h01.
A regularização extraordinária aprovada pelo governo espanhol alimenta o otimismo de mais de meio milhão de imigrantes sem documentos, agora mergulhados em uma corrida contra a burocracia e a frustração para reunir os papéis.
"É tudo dificuldade", lamenta a peruana Madeleine Castillo, em referência aos obstáculos para realizar o trâmite, na porta do consulado de seu país em Madri, que, como ocorre sobretudo com as representações latino-americanas e norte-africanas das grandes cidades espanholas, vive uma afluência extraordinária.
"Dizem que tudo é de graça, mas há trâmites que, sem advogados, são difíceis de conseguir", acrescenta a mulher de 28 anos, mãe de três filhas pequenas, que tenta obter "o registro consular que demonstra que sou peruana".
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Em contraste, Carolina, uma colombiana de 30 anos que não quer informar seu sobrenome, sai sorridente de um escritório do governo regional de Madri porque obteve o histórico de seu cartão de transporte público, no qual constam todas as renovações. Essa é uma das vias preferidas dos imigrantes para comprovar que estão há mais de cinco meses consecutivos residindo na Espanha, uma exigência da regularização.
Carolina explica que alguns vão tentar comprová-lo com "o cartão de fidelidade do supermercado ou o histórico das remessas", mas também vale a prova de uma consulta médica no sistema público de saúde, que, na Espanha, também atende pessoas sem situação regularizada.
A colombiana está há um ano e meio na Espanha, e a normalização seria "um antes e um depois na minha vida". Normalmente, ela teria que esperar dois anos para solicitar a permissão de residência legal pela via conhecida como "a do enraizamento", a mais usada em um país que não é severo ao expulsar imigrantes. "Mas assim que se começou a falar dessa via extraordinária, em janeiro, minha advogada me orientou a ir reunindo a documentação", acrescenta.
Além disso, os interessados devem provar que não têm antecedentes criminais na Espanha nem nos países de residência anteriores e "não representar uma ameaça para a ordem pública". Segundo o perfil do solicitante, também poderá ser exigido que comprove trabalho prévio, unidade familiar ou uma situação de vulnerabilidade.
Alejandra, uma colombiana de Bogotá, de 38 anos, que chegou à Espanha em 2022, sai do consulado de seu país em Madri exibindo um novo passaporte colombiano, o último documento de que precisava, mas a alegria não é completa. "Tenho todos os meus documentos porque sou solicitante de asilo, mas meu marido não é e ainda precisa do certificado de vulnerabilidade", explica. "Ele não consegue trabalho por não ter documentos e não consegue esse certificado; está sendo difícil para ele."
Para contornar a impossibilidade de trabalhar, os imigrantes irregulares, em condições de maior vulnerabilidade, às vezes conseguem "pré-contratos", condicionados à obtenção da permissão de residência, com os quais os empregadores espanhóis se protegem legalmente, e os imigrantes podem dar os primeiros passos rumo à normalidade.
O prazo para apresentar os pedidos de regularização está aberto e termina em 30 de junho. A administração tem 15 dias para informar se o processo foi admitido para análise. Diante de uma operação dessa magnitude, o governo garante ter preparado "um plano operacional com muito trabalho e carinho, à altura" da situação, disse a ministra das Migrações, Elma Saiz.
Assim, foi habilitada uma rede de cerca de 450 escritórios da Seguridade Social, dos Correios e de Imigração, com horários reforçados, e foram incorporados mais de 550 profissionais extras dedicados exclusivamente à tramitação.
Guillermo Valderrábano, fundador e diretor da ExtranjeríaClara.com, um escritório que ajuda com os trâmites, acompanha com expectativa a resposta da administração.
"Viemos de um sistema que já é lento na tramitação ordinária", recorda à AFP Valderrábano, cujo escritório está recebendo, nestes dias, "400 ligações por dia" de interessados."O movimento se demonstrará caminhando. A chave não é apenas o volume, mas como a documentação é interpretada e como é gerida em cada escritório. É aí que, historicamente, surgiram os gargalos."
"Foram destinados recursos adicionais para recolher informação; agora o desafio é processá-la no ritmo prometido", concluiu.
Com EFE