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Eleição no Peru: Castillo ultrapassa Fujimori e ex-deputada acusa fraude

Castillo ultrapassa Keiko Fujimori e tem pequena margem na disputa do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, com pouco mais de 50% dos votos. Acompanhe ao vivo

Esta reportagem foi atualizada pela última vez na segunda-feira, 7. Acompanhe ao vivo neste link os resultados mais recentes da apuração no Peru. 

Os eleitores peruanos foram às urnas no Peru neste domingo, 6, para decidir a presidência do país na disputa do segundo turno entre a direitista Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, e o esquerdista Pedro Castillo, do Perú Libre. 

Na noite desta segunda-feira, 7, Fujimori divulgou comunicado afirmando, sem apresentar provas, que recebeu denúncias de fraude e questionando a apuração dos votos. O processo é feito pelo órgão oficial ONPE, sigla em espanhol para Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), que enviou uma missão ao Peru para acompanhar a eleição, havia dito mais cedo que o processo eleitoral no país ocorrera de forma democrática e sem maiores problemas.

Apoiadores de Castillo, que lidera a apuração, se reúnem neste momento no centro de Lima com críticas às acusações de Fujimori e gritos de "não à fraude", segundo o jornal El País. 

Fujimori começou a apuração liderando com os votos das regiões próximas a Lima, mas perdeu a dianteira no começo da tarde à medida em que chegavam mais votos das regiões rurais.

  • No total, Castillo lidera com pequena margem, 50,3% dos votos contra 49,7% de Fujimori.
  • Segundo o ONPE, 95% das urnas foram contabilizadas até às 22h48 (horário de Brasília), quando foi divulgada a última parcial.
  • Castillo tem pouco mais 95.000 votos de vantagem.
  • A diferença entre os dois candidatos, que já passou de 100.000 votos de vantagem para Fujimori, caiu progressivamente ao longo da manhã desta segunda-feira, 7. 

Ainda não há um resultado oficial do ONPE, e é comum que as eleições no Peru, pela distância dos distritos mais afastados, demorem a ter um vencedor declarado.

Dos votos que faltam serem apurados, há sobretudo as cédulas de peruanos no exterior, onda há liderança com folga de Fujimori, e de distritos mais rurais dentro do Peru, onde Castillo tem mostrado vantagem.

  • VOTOS INTERNOS: Castillo também lidera contra Fujimori nos votos dentro do Peru, com mais de 100.000 votos de vantagem e o total de urnas apuradas chegando a 98%.
  • VOTOS NO EXTERIOR: só 29% das urnas foram apuradas fora do país, e Fujimori lidera com folga, com 64% dos votos e pouco mais de 26.000 votos de vantagem.

Castillo vence na contagem rápida

A pesquisa Ipsos Perú/América TV de boca de urna divulgada no domingo, mostrou um empate técnico entre os candidatos, com Fujimori registrando 50,3% dos votos e Castillo, 49,7%. Depois, uma contagem rápida de votos do mesmo instituto rendeu um resultado inverso, com 50,2% para o professor da escola rural e 49,8% para a filha do ex-presidente Alberto Fujimori.

A contagem rápida, que tem margem de erro de 1%, "nunca deu errado" nas eleições presidenciais peruanas, disse no Twitter Fernando Tuesta, ex-chefe do ONPE. 

Devido à margem pequena entre os candidatos, havia entre as autoridades um temor sobre acusações de fraude e contestações do resultado. Em 2016, data da última eleição, que elegeu o banqueiro Pedro Pablo Kuczynski (o PPK), Fujimori, então sua rival, já havia contestado o resultado.

“Tem havido uma série de irregularidades que nos preocupam e acreditamos que é importante mostrar isso, e sobretudo chamar os cidadãos para nos ajudar a saber se existem outras irregularidades como as que foram reveladas ao longo destes dias”, disse Fujimori em comunicado à imprensa nesta segunda-feira. 

Eleição da rejeição no Peru

O Peru vive uma profunda crise institucional. Todos os ex-presidentes recentes, além de outros políticos importantes, como a própria Keiko Fujimori, estão envolvidos em acusações de corrupção. 

A crise política no Peru fez com que no primeiro turno o país tivesse nada menos que 18 candidatos na disputa, nenhum deles tendo mais de 20% dos votos nas pesquisas.

No primeiro turno, nenhum dos candidatos que chegou ao segundo turno teve o apoio da maioria do eleitorado: Castillo venceu o primeiro turno com 18,9% votos e Keiko teve 13,4%. 

Representando o establishment político e a continuidade do projeto neoliberal de seu pai, Keiko chegou ao segundo turno apesar de ser acusada de lavagem de dinheiro e ver seu partido envolvido com o escândalo da Lava Jato peruana. É a terceira vez que a ex-deputada concorre.  

Castillo foi a grande surpresa da eleição: nenhuma pesquisa ou analista falava em tê-lo na disputa do segundo turno. Nascido na região de Cajamarca, o professor primário e ativista liderou o primeiro turno representando a extrema esquerda e prometendo políticas marxistas e leninistas.

Com 51 anos, Castillo nega ser chavista, mas defende um papel econômico ativo do Estado na economia. O professor representa hoje uma ala que diz ser uma opção ao establishment político, mas sua posição é ainda uma incógnita. Ele historicamente se diz contra políticas identitárias, como direitos de LGBT e de mulheres, o que atraiu parte dos votos de peruanos mais conservadores fora dos grandes centros.

Na outra ponta, a tendência é que se alie a esses grupos da esquerda mais progressista para governar no caso de uma vitória. Nos últimos dias, Castillo recebeu apoio de nomes como o presidente argentino, Alberto Fernández, e o ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica, que pediu nas redes sociais que Castillo se atenha à democracia.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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