Exame Logo

Candidatos da Colômbia sobem o tom na busca por votos

Juan Manuel Santos e Óscar Iván Zuluaga subiram o tom de seus discursos, com fortes recriminações e ataques diretos

Juan Manuel Santos cumprimenta Oscar Ivan Zaluaga durante um debate televisivo em Bogotá (John Vizcaino/Reuters)
DR

Da Redação

Publicado em 10 de junho de 2014 às 23h23.

Bogotá - Os candidatos à presidência da Colômbia , Juan Manuel Santos e Óscar Iván Zuluaga, subiram nesta terça-feira o tom de seus discursos, com fortes recriminações e ataques diretos, no afã de conseguir votos para o segundo turno de domingo.

Santos e Zuluaga participaram hoje em um debate da emissora de rádio "La F.M.", no qual voltaram a discutir, mais que a propor, sobre paz, economia, educação e segurança, mas com uma veemência que já tinham começado a mostrar ontem à noite em outro tête-à-tête promovido pelo jornal "El Tiempo", "La W Radio" e "Citytv".

No encontro de hoje foram expostos novamente os escândalos que caracterizaram o primeiro turno, de espionagem no caso de Zuluaga, e de suposto financiamento ilegal da campanha presidencial de Santos em 2010, o que deu pé a acusações mútuas de falsidade.

O presidente-candidato aproveitou a ocasião para pedir a seu rival que não equiparasse o escândalo causado por seus vínculos com o hacker Andrés Sepúlveda, detido pelo Ministério Público e acusado de tentar sabotar o processo de paz, com as denúncias contra sua campanha anterior.

"Não tente equiparar (o episódio do financiamento ilegal) com uma situação na qual o senhor pessoalmente está envolvido", disse seu rival.

Santos, com um problema na garganta, escolheu bem as palavras para qualificar como "delito" o fato de que Zuluaga, do movimento uribista Centro Democrático, ficou impassível enquanto Sepúlveda falava de infiltrações nas negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Havana.

Em um cruzamento de palavras que por momentos tornava ininteligível o que se diziam, Zuluaga reprovava Santos por falar "como um fiscal ou como um juiz".

Tentando superar a situação, Zuluaga alegou que sua campanha contratou a empresa de segurança informática e gestão de redes sociais de Sepúlveda quando não havia denúncias contra ela e com a confiança que antes tinha trabalhado para o governo de Santos.

Segundo o candidato do Centro Democrático, nesta situação foi "vítima de uma atuação ilegal que correspondeu a uma montagem" para prejudicar sua candidatura.

Zuluaga questionou que as investigações da procuradoria no escândalo de espionagem sejam rápidas, em contraste com a lentidão que esse organismo mostra no caso do suposto ingresso de dinheiro de procedência duvidosa na campanha eleitoral de Santos em 2010.

A campanha eleitoral em praça pública se encerrou no domingo passado, razão pela qual os dois candidatos desfilaram nestes dias por diversos meios de comunicação para divulgar sua mensagem ao eleitorado no meio da incerteza que deixaram as enquetes sobre intenções de voto.

Contra toda previsão, Zuluaga ganhou o primeiro turno, no dia 25 de maio, e as últimas pesquisas, divulgadas na semana passada, o mostram como favorito do eleitorado para ganhar no próximo domingo, enquanto outras indicam uma vitória de Santos, da coalizão Unión Nacional.

Em plena batalha verbal, a campanha foi sacudida hoje pelo anúncio conjunto do governo e do Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda maior guerrilha do país, que desde janeiro passado estão em conversas exploratórias para uma negociação de paz similar à que acontece com as Farc em Cuba.

Nas fileiras de Zuluaga o anúncio a poucos dias do segundo turno foi interpretado como uma estratégia eleitoral do atual presidente para inclinar a balança a seu favor nas urnas no domingo.

A oposição se expressou por meio da ex-candidata presidencial do Partido Conservador, Marta Lucía Ramírez, chefe de debate de Zuluaga.

"Tudo é utilizado calculando o tempo para anunciar antes da eleição presidencial e é preciso dizer isso aos colombianos. Que não podemos cair na manipulação, a paz não tem sobrenome Santos, a paz é propriedade de todos os colombianos", declarou Ramírez em comunicado.

São Paulo - Os colombianos irão às urnas nesse fim de semana para decidir pelo próximo presidente do país. O atual, Juan Manuel Santos, quer um segundo mandato. O seu opositor é Óscar Ivan Zuluaga, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Santos é o favorito, mas não deve conseguir evitar um segundo turno. A Colômbia tem crescido rapidamente na economia e pode até ultrapassar a Argentina como segunda maior economia do continente - atrás, claro, do Brasil. Mas os colombianos, apesar dos anos prósperos, ainda convivem com muita pobreza e violência - o maior exemplo é a guerra contra o narcotráfico e as Farc. Veja a seguir 10 fatos sobre a Colômbia para entender o panorama que cerca candidatos e eleitores nessas eleições:
  • 2. 2. Crianças

    2 /11(John Coletti/Corbis/Latinstock)

  • Veja também

    Mortalidade infantil: 15 mortes por 1.000 nascimentos (107º no mundo) Trabalho infantil: 9% das crianças entre 5 e 14 anos (988 mil crianças)
  • 3. 3. Trabalho

    3 /11(REUTERS)

  • Desemprego entre 15 e 14 anos: 21,9% Desemprego geral: 9,7%
  • 4. 4. Economia

    4 /11(Alfredo Estrella/AFP)

    PIB: 526,5 bilhões de dólares (29º no mundo) Crescimento anual (2013): 4,2% Renda per capita: 11.100 dólares (110º no mundo)
  • 5. 5. Pobreza

    5 /11(Luis Acosta/AFP)

    Pessoas abaixo da linha da pobreza: 32,7%
  • 6. 6. Violência

    6 /11(Jaime Saldarriaga/Reuters)

    Status: 10º país mais violento do mundo Número de homicídios (2012): 14.670 casos Taxa de homicídios (2011): 33,6/100 mil habitantes
  • 7. 7. Cidades mais violentas

    7 /11(Eitan Abramovich/AFP)

    Entre as 30 mais violentas:
    4º - Cali - 83.20 por 100.000 habitantes 11º - Palmira - 60.86 por 100.000 habitantes
  • 8. 8. Igualdade de gênero

    8 /11(Getty Images/Getty Images)

    91º do mundo, entre 186 países, segundo a ONU
  • 9. 9. Liberdade de imprensa

    9 /11(Luis Acosta/AFP)

    Mortes: 45 jornalistas mortos em serviço entre 1994 e 2014 - 51% deles estavam investigando casos de corrupção - 91% foram assassinados: 37% mortos por paramilitares e milícias; e 20% por pessoas do governo colombiano
  • 10. 10. Otimismo

    10 /11(Pedro Felipe/Wikimedia Commons)

    2º país mais otimista do mundo Nível de felicidade: 86% - Acredita que 2014 será melhor que 2013: 57% - Acredita que 2014 será um bom ano para a economia: 35% (Segundo pesquisa do Worldwide Independent Network of Market Research)
  • 11. Agora veja outras eleições importantes

    11 /11(Ueslei Marcelino/Reuters)

  • Acompanhe tudo sobre:América LatinaColômbiaEleiçõesPolítica

    Mais lidas

    exame no whatsapp

    Receba as noticias da Exame no seu WhatsApp

    Inscreva-se

    Mais de Mundo

    Mais na Exame