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Remy Sharp
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Biden tenta colocar aborto no centro das eleições de meio de mandato

A Casa Branca multiplica os discursos, como o desta terça em Washington, na tentativa de contrariar as previsões para as eleições de 8 de novembro

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Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Bloomberg/Getty Images)

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Bloomberg/Getty Images)

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AFP

Publicado em 18 de outubro de 2022, 19h27.

Última atualização em 18 de outubro de 2022, 19h33.

A três semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden prometeu, nesta terça-feira, 18, que o primeiro projeto de lei que promulgará caso os democratas mantenham o controle do Congresso será o direito ao aborto nos Estados Unidos.

A Casa Branca multiplica os discursos, como o desta terça em Washington, na tentativa de contrariar as previsões para as eleições de 8 de novembro. Tradicionalmente, o partido da situação costuma sofrer um golpe nesse tipo de eleição, que é realizada a cada dois anos para renovar as cadeiras da Câmara de Representantes, parte do Senado e dezenas de governadores.

Este ano, os democratas enfrentam uma potencial tsunami de insatisfação pela impopularidade do presidente, a situação econômica pós-pandemia e as guerras culturais em torno de educação, questões de gênero e aborto.

É no aborto que Biden vê uma potencial virada do jogo, depois de a Suprema Corte ter anulado a sentença histórica Roe vs. Wade que há meio século consagrou o acesso ao aborto em todo país.

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"O primeiro projeto de lei que enviarei ao Congresso será codificar Roe vs. Wade", disse Biden, sobre a jurisprudência anulada em junho .As mulheres de todo o país, começando por minha casa, perderam um direito fundamental", acrescentou.

Biden mencionou o "caos e a angústia" das mulheres que pretendem interromper a gravidez desde a decisão da Suprema Suprema. E acrescentou que os republicanos proibiram o aborto em 16 estados, onde vivem 26,5 milhões de mulheres.

O presidente insiste na importância do resultado eleitoral. Advertiu também que mesmo que os republicanos vençam, vetará qualquer tentativa de proibir o aborto a nível nacional. E que se os democratas mantiverem a maioria na câmara baixa, será redigida um lei nacional de direito ao aborto, que anule a decisão da Suprema Corte.

A Casa Branca não quis informar como Biden concebe os detalhes da lei e se apoiaria algum tipo de restrição ao aborto. "Deve ser algo decidido entre uma mulher e seu médico, sua família, e não pelos políticos", disse a secretária de imprensa de Biden, Karine Jean-Pierre.

Ímpeto sim, mas votos?

Não há dúvida de que o direito ao aborto provoca debates acalorados na cena política. Roe vs. Wade legalizou o procedimento em todo país, enquanto a decisão da Suprema Corte devolveu o poder aos governos estaduais, deixando-os ditar as regras em seu território.

Os líderes republicanos aproveitaram a oportunidade para impor restrições, ou proibições draconianas, à prática.

Localização dos estados dos EUA onde o aborto foi restrito após a decisão da Suprema Corte.

O tema mobiliza, mas é suficiente para mudar votos em três semanas?

Figuras democratas, incluindo Biden, sugeriram a possibilidade de uma mobilização eleitoral liderada por mulheres.

"Não acho que a corte, ou, nesse caso, os republicanos, que durante décadas promoveram sua agenda extremista, tenham alguma ideia do poder das mulheres americanas", disse Biden, após a decisão do tribunal.

"Na minha opinião, estão prestes a descobrir. Tenho esperança e a firme convicção que as mulheres, de fato, vão comparecer em números recordes para reivindicar os direitos", completou.

As pesquisas mostram sistematicamente que a maioria dos americanos acredita que o aborto deveria ser permitido. Embora a maioria também pense que deveria haver algumas restrições, apenas 13% apoiam a proibição total, segundo o Gallup.

A má notícia para os democratas é que o aborto se situa bem abaixo na lista de preocupações dos eleitores. Uma pesquisa do jornal "The New York Times"/Siena mostra nesta semana que 26% dos possíveis eleitores consideram que a economia é o mais importante, e 18%, a inflação, que bate recordes em quatro décadas. Já o aborto obteve 5%.

Além disso, a pesquisa mostra uma mudança surpreendente na intenção de voto das mulheres independentes. Em setembro, este grupo apoiou os democratas, em relação aos republicanos, por 14 pontos, mas, na última sondagem, apoiaram os republicanos, por 18 pontos.

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