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Após prisão de Maduro, Cuba reage à pressão de Trump: 'Estamos dispostos a dar nossas vidas'

Declaração foi publicada nesta terça-feira, 6 de janeiro, pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 14h56.

Última atualização em 6 de janeiro de 2026 às 14h58.

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O governo de Cuba reagiu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e classificou como "ignorância total" as afirmações sobre um possível colapso do regime em Havana.

A resposta foi publicada nesta terça-feira, 6 de janeiro, pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, após Trump declarar que a ilha estaria à beira da ruína econômica após a captura de Nicolás Maduro.

Rodríguez usou o Twitter para acusar o republicano de “ignorar intencionalmente sua política criminosa de estrangulamento”, em referência ao endurecimento do bloqueio econômico. Segundo o chanceler, a escalada das sanções tem causado “danos e desespero às famílias cubanas”.

Durante uma coletiva de imprensa neste domingo, Trump afirmou que “Cuba parece estar prestes a cair” e que o país “não tem renda”, em alusão à dependência cubana do petróleo venezuelano.

“Eles recebiam toda a sua renda da Venezuela”, disse o presidente. Ele ainda destacou o apoio de parte da comunidade cubano-americana à sua política externa: “Muitos cubano-americanos ficarão muito felizes conosco”.

Na mesma linha, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, político de origem cubana, declarou que, se estivesse em Havana, estaria “pelo menos um pouco preocupado”.

Hostilidades

Os atritos entre Cuba e os Estados Unidos se intensificaram após uma operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e na morte de 32 soldados cubanos. De acordo com o governo cubano, as mortes ocorreram por “forte resistência em combate direto” e pelos bombardeios durante a ação.

No entanto, analistas indicaram, em entrevista à agência EFE, que parte da segurança pessoal de Maduro era composta por militares cubanos. No entanto, essa informação ainda não confirmada por Havana ou Caracas. A proximidade estratégica entre os dois governos era sustentada por acordos energéticos e colaboração política.

A Venezuela era o principal fornecedor de petróleo bruto a Cuba, essencial para o abastecimento energético local. Parte desse petróleo, segundo o jornal norte-americano New York Times, era revendida por Cuba à China, gerando receitas em moeda forte.

A perda do acesso ao petróleo venezuelano representa um agravamento no quadro econômico cubano. A ilha importa cerca de 80% dos produtos que consome, em função do colapso agrícola e industrial. Com fontes de renda como turismo, remessas e missões médicas em retração, o governo enfrenta crescente dificuldade para garantir divisas necessárias à importação de combustíveis e alimentos.

A retórica do governo norte-americano ocorre em um momento de endurecimento da política externa em relação a regimes considerados autoritários. A narrativa de “colapso iminente” tem sido utilizada por Washington como ferramenta para justificar sanções mais duras, enquanto Havana denuncia os efeitos humanitários do embargo.

Entenda a invasão dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

(Com informações das agências EFE e AFP)

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