Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 18h54.
Um em cada três norte-americanos apoia a ofensiva militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enquanto 72% temem que o país esteja se envolvendo excessivamente na crise sul-americana. Os dados são de um levantamento da agência Reuters em parceria com o instituto Ipsos, divulgado nesta segunda-feira, 5 de janeiro.
A operação foi conduzida na madrugada de sábado, 3 de janeiro, quando forças norte-americanas invadiram Caracas e prenderam Maduro. O ex-presidente venezuelano foi então transferido pelas autoridades militares dos EUA para Nova York, onde deve responder a acusações de envolvimento com tráfico internacional de drogas.
A ação militar e a declaração do presidente Donald Trump de que os EUA agora “governariam” a Venezuela marcam uma inflexão na política externa da Casa Branca. Trump, que por anos criticou envolvimentos bélicos fora do país, tem agora sua gestão voltada para a imposição de influência direta sobre o país vizinho.
O levantamento da Reuters/Ipsos mostrou que 65% dos eleitores republicanos aprovam a operação, contra 11% dos democratas e 23% dos independentes. O apoio da base republicana também se estende a medidas como envio de tropas e controle dos recursos naturais venezuelanos.
Entre os entrevistados da pesquisa, 43% dos eleitores republicanos disseram concordar com a frase “os Estados Unidos devem ter uma política de dominação nos assuntos do Hemisfério Ocidental”. Apenas 19% se disseram contrários, enquanto o restante não opinou.
Trump declarou, neste domingo, que os EUA precisam de “acesso total” aos campos de petróleo venezuelanos e acenou com a possibilidade de intervenção terrestre prolongada. Cerca de 60% dos republicanos apoiam o envio de tropas, frente a 30% da população em geral. Mais da metade dos entrevistados da base republicana também é favorável ao controle direto das reservas petrolíferas da Venezuela pelos EUA.
Mesmo entre os apoiadores, há receios: 54% dos eleitores republicanos demonstram preocupação com a possibilidade de envolvimento prolongado dos Estados Unidos no país sul-americano, os custos da operação e o risco às vidas de militares norte-americanos.
A pesquisa ouviu 1.248 pessoas em território norte-americano entre os dias 3 e 4 de janeiro, com margem de erro de três pontos percentuais. A aprovação geral de Trump subiu para 42%, o maior índice desde outubro, em comparação com os 39% registrados em dezembro.
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)