Mundo

Apenas 33% dos americanos apoiam operação dos EUA na Venezuela, diz pesquisa Reuters/Ipsos

65% dos eleitores republicanos aprovam a operação, contra 11% dos democratas e 23% dos independentes

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 18h54.

Tudo sobreVenezuela
Saiba mais

Um em cada três norte-americanos apoia a ofensiva militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enquanto 72% temem que o país esteja se envolvendo excessivamente na crise sul-americana. Os dados são de um levantamento da agência Reuters em parceria com o instituto Ipsos, divulgado nesta segunda-feira, 5 de janeiro.

A operação foi conduzida na madrugada de sábado, 3 de janeiro, quando forças norte-americanas invadiram Caracas e prenderam Maduro. O ex-presidente venezuelano foi então transferido pelas autoridades militares dos EUA para Nova York, onde deve responder a acusações de envolvimento com tráfico internacional de drogas.

A ação militar e a declaração do presidente Donald Trump de que os EUA agora “governariam” a Venezuela marcam uma inflexão na política externa da Casa Branca. Trump, que por anos criticou envolvimentos bélicos fora do país, tem agora sua gestão voltada para a imposição de influência direta sobre o país vizinho.

O levantamento da Reuters/Ipsos mostrou que 65% dos eleitores republicanos aprovam a operação, contra 11% dos democratas e 23% dos independentes. O apoio da base republicana também se estende a medidas como envio de tropas e controle dos recursos naturais venezuelanos.

'Dominação regional'

Entre os entrevistados da pesquisa, 43% dos eleitores republicanos disseram concordar com a frase “os Estados Unidos devem ter uma política de dominação nos assuntos do Hemisfério Ocidental”. Apenas 19% se disseram contrários, enquanto o restante não opinou.

Trump declarou, neste domingo, que os EUA precisam de “acesso total” aos campos de petróleo venezuelanos e acenou com a possibilidade de intervenção terrestre prolongada. Cerca de 60% dos republicanos apoiam o envio de tropas, frente a 30% da população em geral. Mais da metade dos entrevistados da base republicana também é favorável ao controle direto das reservas petrolíferas da Venezuela pelos EUA.

Mesmo entre os apoiadores, há receios: 54% dos eleitores republicanos demonstram preocupação com a possibilidade de envolvimento prolongado dos Estados Unidos no país sul-americano, os custos da operação e o risco às vidas de militares norte-americanos.

A pesquisa ouviu 1.248 pessoas em território norte-americano entre os dias 3 e 4 de janeiro, com margem de erro de três pontos percentuais. A aprovação geral de Trump subiu para 42%, o maior índice desde outubro, em comparação com os 39% registrados em dezembro.

Entenda a invasão dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

(Com informações da AFP)

Acompanhe tudo sobre:VenezuelaNicolás MaduroDonald TrumpEstados Unidos (EUA)

Mais de Mundo

Brasil foi surpreendido com prisão de Maduro e precisa ter cuidado, diz analista

María Corina perdeu apoio de Trump por aceitar Prêmio Nobel da Paz, diz jornal

Governo dos EUA se reunirá com empresas petrolíferas para discutir oportunidades na Venezuela

China registra alta no turismo e no consumo após políticas de isenção de visto