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Aliado de María Corina Machado é preso novamente horas após deixar a cadeia

Ministério Público alegou violação de medidas cautelares

Juan Pablo Guanipa: dirigente opositor voltou à prisão poucas horas após deixar a cadeia na Venezuela ( Jesus Vargas/picture alliance via Getty Images)

Juan Pablo Guanipa: dirigente opositor voltou à prisão poucas horas após deixar a cadeia na Venezuela ( Jesus Vargas/picture alliance via Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 07h20.

O dirigente opositor Juan Pablo Guanipa, aliado próximo da líder venezuelana María Corina Machado, voltou à prisão neste domingo, 8, após permanecer menos de 12 horas em liberdade, em um novo episódio que elevou a tensão política na Venezuela em meio a um processo de libertação parcial de presos políticos.

Guanipa havia deixado a prisão pela manhã e chegou a circular por Caracas de motocicleta, além de se reunir com familiares de detentos políticos. Horas depois, foi novamente detido. María Corina Machado denunciou o que chamou de “sequestro” do aliado.

O Ministério Público afirmou que a nova detenção ocorreu porque Guanipa teria violado as condições de sua liberdade, que incluíam restrições à manifestação pública sobre o próprio caso. Segundo o órgão, foi solicitada ao tribunal a conversão da medida em prisão domiciliar.

Guanipa era um dos principais nomes da oposição que ainda permaneciam presos. Sua libertação havia sido interpretada como um sinal de avanço rumo à aprovação de uma lei de anistia geral, prevista para ser votada na terça-feira, 10, que, em tese, poderá beneficiar todos os presos políticos do país.

A presidente Delcy Rodríguez anunciou o processo de anistia pouco depois de assumir o poder, após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos.

María Corina Machado afirmou que Guanipa foi detido por homens “fortemente armados e à paisana” e levado de forma violenta. O filho do opositor, Ramón Guanipa, exigiu uma prova de vida do pai. “Responsabilizo o regime por qualquer coisa que aconteça ao meu pai. Chega de tanta repressão”, escreveu na rede social X.

Libertações parciais

Outros aliados de Corina Machado também foram libertados no domingo. A ONG Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos, confirmou 35 novas liberações apenas naquele dia. Segundo a entidade, quase 400 pessoas deixaram as prisões desde 8 de janeiro, quando Delcy Rodríguez anunciou o primeiro pacote de solturas.

Poucas horas antes da nova prisão de Guanipa, Corina Machado celebrou as libertações em mensagem divulgada no X. “Muito em breve vamos nos encontrar e nos abraçar em uma Venezuela livre”, afirmou.

A líder opositora deixou o país para receber o Prêmio Nobel da Paz, em dezembro, após mais de um ano na clandestinidade. Ela denuncia fraude na eleição presidencial de 2024, que havia concedido um terceiro mandato a Maduro.

Ex-vice-presidente do Parlamento e governador eleito do estado de Zulia, Guanipa foi destituído do cargo ao se recusar a jurar lealdade à Assembleia Constituinte criada por Maduro, que passou a concentrar funções do Legislativo então controlado pela oposição.

Sua última aparição pública havia ocorrido em 9 de janeiro de 2025, ao lado de María Corina Machado, durante um protesto contra a posse de Maduro.

Ao deixar a prisão, antes de ser novamente detido, Guanipa afirmou que a crise política do país deveria ser resolvida com respeito ao voto popular. “O povo se manifestou. Houve uma decisão popular”, disse, em referência à eleição presidencial. “Se não querem respeitar, então vamos a um processo eleitoral.”

Também foi libertado no domingo Perkins Rocha, assessor jurídico de Corina Machado e delegado da principal coalizão opositora. Ele deixou a prisão com medidas cautelares consideradas severas por familiares. Rocha estava detido havia um ano e meio, desde agosto de 2024.

Outro colaborador da campanha opositora, Freddy Superlano, de 49 anos, também foi solto, segundo informou a ONG Foro Penal. Ele havia sido preso dois dias após a contestada reeleição de Maduro.

*Com informações da AFP 

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