Ibovespa fecha em queda e se afasta dos 100 mil pontos

Índice não acompanha recuperação das bolsas internacionais, mas, apesar da queda, chega a segunda alta semanal consecutiva

A bolsa brasileira fechou em queda nesta sexta-feira, 16, apesar de as bolsas internacionais terem recuperado parte das últimas perdas. Ainda pela manhã, o Ibovespa chegou a acompanhar o tom positivo do exterior, mas voltou para o terreno negativo, encerrando com perdas de 0,75%, em 98.309,12 pontos. Com grande peso no índice, as ações dos setor financeiro (B3 e grandes bancos) e da Petrobras foram as principais responsáveis pela queda. Na semana, o Ibovespa subiu 0,85%.

“Apesar da recuperação das bolsas internacionais, o mercado ainda está cauteloso com relação aos casos de coronavírus na Europa e nos Estados Unidos. Então, muito investidor está ainda com aversão ao risco e prefere desfazer posições para o fim de semana, que costuma ter muita notícia relacionada ao tema”, afirma Gustavo Bertotti, economista da Messem.

Braskem

Apesar do dia negativo, as ações da Braskem fecharam em alta de 5,58%, na liderança do Ibovespa. A alta ocorreu após notícia do Broadcast de que a empresa irá lançar ainda em outubro um portfólio para a indústria de impressão 3D, que será feito por meio de polipropileno. 

Suzano e Klabin

As ações da Suzano e Klabin tiveram respectivas altas de 4,61% e 3,99%. No radar dos investidores, esteve a leve alta do preço da celulose no mercado internacional de menos de 1% na semana. “Esse movimento só se justifica se pensar que pode ser o início de uma tendência de alta do preço da celulose”, comenta Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

Frigoríficos

Além das empresas de papel e celulose, os frigoríficos figuraram entre as maiores altas da sessão, com JBS, Marfrig, BRF avançando 3,57%, 0,32% e 0,86%, respectivamente “Esses são ativos que tiveram fortes quedas em setembro e também há expectativa positiva sobre os balanços, tendo em vista o preço interessante da proteína animal”, diz Chinchila.

Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo, lembra ainda sobre a relação de frigoríficos e empresas de celulose com o dólar, que fechou mais uma vez em alta. “Quando o dólar sobe muito, fundos de ações costumam comprar exportadoras para se proteger. E os frigoríficos, em especial, ainda tem sido beneficiados nesta semana pelos novos casos de peste suína na Alemanha. Se faltar carne no mundo, a exportação do Brasil explode”, comenta.

Ativos de peso

Entre os componentes com maior participação no Ibovespa, todas encerraram sendo negociadas em queda em queda. Entre eles, os papéis da Petrobras se destacaram negativamente. Em linha com a desvalorização do petróleo, a ação ordinária da petrolífera caiu 2,48% e as preferenciais, 2,13%. Do mesmo setor, mas com muito menos peso no índice, a PetroRio caiu 2,15%. Embora tenha esboçado alguma reação entre terça e quarta-feira, a commodity volta a se desvalorizar nesta sexta e caminha para fechar a semana em queda. Entre os principais fatores que tem influenciado o preço da commodity estão as incertezas sobre a demanda, tendo em vista as novas medidas de isolamento social na Europa. No setor financeiro, as ações da B3 caíram 2,28%, enquanto Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander recuaram 1,62%, 2,54%, 1,98% e 3,12% respectivamente.

CSN

Parte da valorização da Vale se deve ao forte resultado do terceiro trimestre reportado pela CSN, impulsionado, principalmente, pela frente de mineração, beneficiada pela alta do minério de ferro. No período, a companhia registrou lucro líquido de 1,262 bilhão de reais, superando em 182,96% o registrado no terceiro trimestre de 2019. Já a receita líquida da CSN ficou em 8,715 bilhões de reais, acima das expectativas de 7,83 bilhões de reais.

“Sem dúvida foi um bom resultado, como era esperado. Continuamos otimista com a empresa e com o setor de siderurgia e mineração, esperando reajustes de preços em outubro/novembro. O grande evento para a empresa será o IPO do seu negócio de mineração”, afirma Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, em relatório.

Depois de subirem 5,7% na sessão anterior, neste pregão, os papéis da CSN tiveram uma alta tímida de 0,41%. Mas a valorização valorização chegou a ser maior reforçado ao longo do dia, pouco após a empresa afirmar em teleconferência que renegocia contratos anuais com montadores que pode chegar a 35% de reajuste. No setor, as ações da Usiminas subiram 4,33% e as da Gerdau, 0,66%.

Tenda

As ações da Tenda subiram 1,3%, após registrar recorde de vendas líquidas em prévia operacional do terceiro trimestre. Ao todo, as vendas líquidas atingiram 742,1 milhões de reais 38,2% acima do registrado no mesmo período do ano passado e 28,7% superior ao trimestre anterior. “O resultado reforça a percepção de aquecimento no setor de construção e incorporação, especialmente no segmento de baixa renda”, afirmam analistas da Exame Research

Dados econômicos

As vendas do varejo americano tiveram alta de 1,9% em setembro, ficando muito acima das estimativas de crescimento de 0,7%. Impulsionadas por pacotes estímulos nos Estados Unidos, os números do mês de setembro superaram em 5,36% os registrados no mesmo período do ano passado.  “Com o resultado, o setor cresce 13,5% no trimestre, mais do que compensando a queda de 7,1% do trimestre anterior. É um resultado importante e positivo, sobretudo considerando que parte dos programas de auxílio desemprego já tinham acabado em setembro”, avaliam analista da Exame Research.

Por outro lado, o a produção industrial americana decepcionou os investidores, com contração mensal de 0,6% em setembro. As estimativas eram de alta de 0,5. Na comparação anual, a queda da produção industrial americana foi de 7,28%.

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