Dólar fecha em alta com descompasso entre Bolsonaro e equipe econômica

Presidente ameaça dar "cartão vermelho" para que desse a ideia de congelar aposentadorias para financiar o Renda Brasil

O dólar subiu 0,3% e encerrou vendido a 5,289 reais nesta terça-feira, 15, após o vídeo do presidente Jair Bolsonaro ter repercutido negativamente no mercado. Para os investidores, suas reclamações só evidenciaram sua falta de entrosamento com a equipe econômica, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Antes de material ser publicado nas redes sociais, o dólar se desvalorizava contra o real, acompanhando o cenário externo positivo.

No vídeo, Bolsonaro reclama sobre manchetes dos jornais e afirma que daria “cartão vermelho” para quem desse a ideia de congelar as aposentadorias para o financiamento do programa Renda Brasil, que substituiria o Bolsa Família, mas ficou para trás dos planos do presidente. “Está proibido falar de Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final”, disse.

“Agora começa a incerteza sobre como está o relacionamento dele com o Guedes. Foi agressivo. O dólar estava negativo e depois reagiu bem pela tensão em relação a isso”, disse Vanei Nagem, analista da Terra Investimentos. Para passar panos quentes, Paulo Guedes se prontificou em afirmar que o cartão vermelho não era para ele.

No exterior, os dados econômicos da China animaram os mercados. Depois de passar toda a primeira metade do ano e o mês de julho em queda, as vendas do varejo chinês superaram, em agosto, o volume de vendas do ano anterior em 0,5%, ante a expectativa de 0,1% de alta.

Já o ritmo de produção industrial, impulsionado pelos estímulos do governo por meio de projetos de infraestrutura, cresceram 5,6% em relação a agosto de 2019. A estimativa mediana do mercado era de crescimento de 5,1%.

Nos Estados Unidos, os dados de produção industrial de agosto apontaram para uma expansão mensal de 0,6%, abaixo das expectativas de 1% de alta. Apesar da recuperação, a atividade ainda está 7,7% abaixo da registrada no mesmo período do ano passado. Apesar da decepção, os efeitos nos mercados foram limitados.

“Os dados da China respaldaram a procura por risco, levando as moedas emergentes ligadas a commodities se valorizarem contra o dólar”, afirma Jefferson Ruik, diretor de câmbio Correparti.

Além da desvalorização frente ao real, o dólar também perde força perante o peso mexicano, o rand sul-africano e o rublo russo. O índice Dxy, que mede o desempenho da moeda americana contra pares desenvolvidos, cai 0,25%.

Segundo Ruik, o sentimento econômico da Alemanha, extraído pelo instituto de pesquisa Zew, também ajuda a manter o bom humor no mercado. Referentes ao mês de setembro, o Zew veio acima do esperado, em 77,4 pontos, indicando otimismo, ante os 69,8 pontos esperados.

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