Mercado Imobiliário

MRV&Co tem melhora operacional no Brasil, mas operação nos EUA ainda pesa

Incorporadora encerrou o primeiro trimestre com lucro ajustado de R$ 26 milhões, queda de 67% na comparação anual

MRV&Co encerrou o primeiro trimestre de 2025 com um lucro ajustado de R$ 26 milhões (Germano Lüders /Exame)

MRV&Co encerrou o primeiro trimestre de 2025 com um lucro ajustado de R$ 26 milhões (Germano Lüders /Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 8 de maio de 2025 às 18h38.

Última atualização em 8 de maio de 2025 às 18h47.

A MRV&Co encerrou o primeiro trimestre de 2025 com lucro ajustado de R$ 26 milhões, queda de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior, ainda impactado por despesas financeiras.

A companhia teve receita líquida de R$ 2,17 bilhões, alta de 17,5% na comparação anual, mas abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para R$ 2,38 bi.

O indicador foi pressionado por vendas que não foram registradas no trimestre, por conta de suspensões temporárias nos repasses em alguns programas regionais. Ao todo, 1,4 mil unidades, no valor de R$ 320 milhões não foram repassadas.

O problema, no entanto, já está sendo resolvido, segundo a companhia. “O backlog já está sendo repassado no segundo trimestre, à medida que os problemas estão sendo solucionados”, afirmou a MRV&Co no release de resultados.

Com a melhora na operação, a margem bruta aumentou, chegando a 29,6%, alta de 3,7 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2024 e de 2,6 p.p. em relação ao último trimestre de 2024.

O Ebitda da incorporadora, que consolida apenas os resultados da MRV, voltada para o Minha Casa, Minha Vida, foi o destaque. O indicador ficou em R$ 344 milhões, avanço de 44% na comparação anual e acima do consenso, que apontava para R$ 332 milhões.

A melhora reduziu o endividamento. A dívida líquida ainda ficou estável, mas a alavancagem, medida pela relação entre o indicador e o Ebitda caiu de 3,84 vezes no ano passado para 1,7 vez.

O endividamento, medido pela dívida líquida sobre o Ebitda nos últimos 12 meses, está caminhando bem, segundo o CFO.

Ainda impactado pela operação americana, a Resia, a MRV&Co queimou R$ 50 milhões em caixa. No mercado americano, o negócio queima caixa na fase de construção e gera caixa quando um empreendimento é vendido. No trimestre, não houve nenhuma venda.

As 1,4 mil unidades não repassadas pela MRV também influenciaram o indicador. "Se tivessem sido repassadas, teríamos uma pequena geração de caixa", explica o CFO Ricardo Paixão

Operações da Resia

O executivo reafirma o foco de desalavancagem para a operação da MRV nos Estados Unidos, a Resia. No final de 2024, a MRV divulgou o compromisso de vender US$ 800 milhões de ativos até o final de 2026.

"Houve melhora de locação mês após mês, sinal de que temos um produto atrativo. Uma vez que estes projetos estão estabilizados, já conseguimos fazer a venda deles", diz.

Em maio, já no segundo trimestre, houve a venda de três ativos, somando US$ 71 milhões. O CFO da MRV disse, no entanto, que o valor pago pelos últimos ativos vendidos foi abaixo do valor esperado, influenciando o lucro líquido.

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