As manifestações ganharam repercussão nacional, com atuações de coletivos de esquerda e grupos antixenofobia (Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 18h06.
Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 18h14.
A violência durante os protestos em Minneapolis, a maior cidade do estado de Minnesota, em respostas às ações da comunidade contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), já resultaram na morte de duas pessoas pelos agentes federais.
Neste sábado, 24, a vítima foi mais um homem de 37 anos. O movimento, que tomou novamente as ruas da cidade neste final de semana, começou após a morte de Renee Good, no início deste ano.
Desde então, a atividade dos agentes tem sido criticada pelos moradores da região, que têm se reunido em manifestações constantes contra o uso excessivo da força e as operações consideradas intolerantes pela população.
O ponto de partida para as manifestações intensificadas em Minneapolis ocorreu em 7 de janeiro de 2026, quando Renee Nicole Good, uma cidadã americana nascida nos EUA, foi morta por agentes do ICE.
No momento do incidente, ela atuava como uma observadora legal voluntária, com o objetivo de monitorar as operações para garantir o respeito aos direitos civis dos seus vizinhos imigrantes.
Segundo relatos e vídeos publicados nas redes sociais, Good, em seu veículo, teria recusado ordens de parada dos oficiais e fugido na rua, levando o agente a disparar contra o carro. O incidente foi amplamente criticado por moradores, autoridades locais e ativistas, que contestaram a versão de legítima defesa apresentada por Washington.
Autoridades federais afirmaram que a ação foi motivada por um risco à segurança, mas líderes locais questionaram a necessidade dos disparos.
Nos dias seguintes à morte de Good, centenas de moradores formaram protestos em Minneapolis, marchando pelas ruas em clima de revolta e pedindo justiça. Cartazes e caminhadas prolongadas por avenidas importantes da cidade marcaram os primeiros dias de mobilização, que contou com uma mistura de moradores, ativistas e grupos comunitários.
As manifestações ganharam repercussão nacional, com atuações de coletivos de esquerda e grupos antixenofobia. Da mesma forma, geraram resposta do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que defende as ações do ICE como necessárias diante da intensificação das operações de imigração.
O presidente Trump ameaçou invocar a Lei da Insurreição, que autoriza a mobilização de militares dentro do país, caso autoridades de Minnesota não interrompam ataques contra agentes federais de imigração.
Durante uma operação realizada na última terça-feira, 20, um menino de 5 anos foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega. A criança teria sido usada como “isca” para verificar a presença de outras pessoas em uma residência alvo da ação.
Identificado como Liam Conejo Ramos, a criança foi abordada junto com o pai, Adrian Alexander Conejo Arias, no momento em que retornava da escola. De acordo com o advogado da família, ambos foram levados posteriormente para um centro de detenção no Texas, apesar de não haver, até o momento, acusações criminais contra eles.
O caso veio a público na última quinta-feira, 20, por meio da administração escolar do distrito de Columbia Heights. Em comunicado oficial, o órgão informou que ao menos quatro crianças foram detidas por agentes do ICE apenas neste mês, todas elas estudantes de escolas locais.
Segundo a superintendente do distrito, Zena Stenvik, Liam foi retirado do carro da família durante a abordagem, mesmo após um adulto conhecido da criança ter implorado para que o menino permanecesse no local. Ainda de acordo com Stenvik, os agentes orientaram a criança a bater na porta da residência, supostamente para identificar se havia outras pessoas no imóvel que pudessem ser detidas.
No dia 23 de janeiro, um movimento de protesto organizado denominado “Day of Truth & Freedom” mobilizou milhares de pessoas em Minneapolis e em outros pontos de Minnesota.
O protesto foi planejado como um apagão econômico. Manifestantes foram incentivados a não trabalhar, não ir às escolas e evitar compras, como forma de demonstrar oposição à presença do ICE no estado e exigir a retirada dos agentes e responsabilidades sobre as operações que causaram mortes e ferimentos.
Organizadores, sindicatos, líderes comunitários, instituições religiosas e organizações de base pediram também investigações sobre abusos cometidos por agentes.
A tensão já elevada escalou ainda mais neste sábado, quando um cidadão americano foi confrontado por agentes federais do ICE durante uma nova operação e morreu no local.
Autoridades afirmaram que ele estava armado e não respeitou ordens, mas líderes estaduais e locais classificaram o episódio como mais um caso de uso excessivo de força por parte de agentes federais, intensificando os protestos e as críticas à administração federal.
Essa foi apontada como a segunda morte envolvendo agentes federais de imigração em três semanas, alimentando ainda mais a indignação popular e reações de governadores e do prefeito de Minneapolis, que pediram a retirada do ICE da cidade.
O governador do estado de Minnesota, Tim Walz, reagiu com forte crítica a um novo episódio envolvendo disparos de agentes federais de imigração em Minneapolis. Ele descreveu o caso como um “tiroteio atroz” e condeu a continuidade das operações do ICE no estado.
Walz disse ter conversado diretamente com a Casa Branca na manhã do incidente e pediu o fim imediato da ação federal no estado. Em postagem na plataforma X, ele afirmou que “Minnesota não aguenta mais” e classificou a presença de agentes como “repugnante”, pedindo ao residente dos EUA que retire os milhares de oficiais violentos e sem treinamento” de Minnesota.
I just spoke with the White House after another horrific shooting by federal agents this morning. Minnesota has had it. This is sickening.
The President must end this operation. Pull the thousands of violent, untrained officers out of Minnesota. Now.
— Governor Tim Walz (@GovTimWalz) January 24, 2026
Em outra publicação na rede social, Walz também comunicou que solicitou os serviços do Centro Estadual de Operações de Emergência e exigiu que a investigação seja conduzida pelas autoridades do estado para garantir transparência e “justiça”.