Mercado Imobiliário

Ex-vila dos atletas no Rio terá 'branded residence' de R$ 845 milhões

Projeto foi desenvolvido pelo BTG em parceria com a Artefacto e terá 544 unidades

Ilha Pura: bairro planejado de R$ 4 bilhões (Matthew Stockman/Getty Images)

Ilha Pura: bairro planejado de R$ 4 bilhões (Matthew Stockman/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 15 de março de 2026 às 09h00.

O bairro planejado Ilha Pura, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, anunciou nesta semana o lançamento do Pura por Artefacto, empreendimento residencial desenvolvido em parceria com a marca de mobiliário de alto padrão Artefacto. O projeto terá valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 845 milhões, considerando duas fases de desenvolvimento.

O residencial terá 544 unidades distribuídas em quatro blocos, com apartamentos de três e quatro quartos entre 117 metros quadrados e 142 metros quadrados, além de coberturas de até 264 metros quadrados.

O empreendimento integra a estratégia do BTG Pactual, responsável pelo desenvolvimento do Ilha Pura, de ampliar projetos no modelo de branded residences. Nesse formato, empreendimentos residenciais são associados à identidade e à curadoria estética de marcas reconhecidas.

No caso do Pura por Artefacto, a parceria envolve desde a concepção arquitetônica até o design dos espaços e a ambientação das áreas comuns. Como parte da proposta, os compradores receberão vouchers entre R$ 115 mil e R$ 150 mil para a compra de móveis personalizados da Artefacto.

“O Pura por Artefacto nasce como um projeto que integra arquitetura, design e experiência de marca desde o início. É um empreendimento que traduz o momento atual do Ilha Pura e responde a um consumidor cada vez mais atento à qualidade do projeto, ao estilo de vida oferecido e ao potencial de valorização do investimento”, afirma Ricardo Cardoso, sócio do BTG Pactual.

Implantado em uma área de 20 mil metros quadrados, mais de 400 móveis da Artefacto serão distribuídos pelas áreas comuns do condomínio, integrados ao projeto de interiores. A proposta é que o design da marca esteja presente não apenas na assinatura do projeto, mas também na experiência cotidiana dos moradores.

O residencial será construído em um dos pontos do bairro planejado com vista para a lagoa e para as montanhas da Barra da Tijuca. O entorno inclui o Parque Ilha Pura, com 72 mil metros quadrados de áreas verdes e paisagismo também assinado pelo escritório Burle Marx.

Para Talitha Ribeiro, head de incorporação do Ilha Pura, a experiência recente mostra que o co-branding vai além de uma estratégia de marketing e pode funcionar como um vetor real de valorização imobiliária.

O Oro Ilha Pura by Ornare, lançado em setembro de 2025 nesse modelo de parceria, teve unidades comercializadas inicialmente a cerca de R$ 12,5 mil o metro quadrado. Apenas cinco meses depois, no lançamento de uma nova torre do empreendimento,os apartamentos passaram a ser vendidos por aproximadamente R$ 14 mil o metro quadrado.

"Isso representa uma valorização próxima de 14% em um intervalo muito curto. O co-branding tem se mostrado uma ferramenta eficiente para criar diferenciação em um mercado cada vez mais competitivo", afirma Ribeiro.

Um projeto de R$ 4 bilhões

O Ilha Pura é o nome do bairro planejado construído usando toda a estrutura da vila dos atletas das Olimpíadas do Rio de Janeiro, de 2016. Durante os jogos, a vila funcionou como residência temporária para quase 18 mil pessoas, entre atletas e profissionais das delegações, com 3,6 mil apartamentos em 31 prédios.

Após os jogos, a previsão era transformá-la em um bairro residencial planejado de mais de 800 mil metros quadrados para moradores comuns, mas a comercialização amargou.

Três anos após a realização das Olimpíadas, o empreendimento imobiliário onde funcionou a Vila dos Atletas não tinha vendido sequer 15% dos imóveis construídos para o evento. Das mais de 3,6 mil unidades preparadas para a Olimpíada, apenas 512 foram comercializadas até 2019.

Em 2024, uma virada: o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) adquiriu todo o empreendimento residencial. A grande vantagem que o banco enxergou no Ilha Pura era o fato de ele já estar pronto, o que era incomum para ativos que sofriam durante crises. O problema não era a qualidade imobiliária do ativo, mas sim a sua estruturação financeira.

“Era exatamente o tipo de negócio que gostamos de fazer. São negócios grandes que demandam soluções complexas, mas com ativos premiuns. Era essa a característica que víamos no Ilha Pura, enquanto todo mundo via como um problema. E é isso que gostamos de fazer: desatar nós”, afirma Michel Wurman, sócio responsável pela área de Real Estate do BTG.

A compra se deu por meio da subsidiária Enforce, focada em special situations. segmento do banco focado justamente na gestão e aquisição de ativos estressados.

Com sete condomínios, o bairro tem o potencial de Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 4 bilhões. “Originalmente, o valor total do empreendimento Ilha Pura era cerca de 3 bilhões e pouco, e já está hoje em 4 bilhões, mostrando uma valorização acima da curva esperada”, diz Wurman.

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