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Cury bate recorde de geração de caixa e diminui lançamentos no 4º tri

Desaceleração no volume de lançamentos e vendas é parte de estratégia, que prioriza repasse aos bancos

Cury: geração de caixa operacional superou R$ 321 milhões (Leandro Fonseca/Exame)

Cury: geração de caixa operacional superou R$ 321 milhões (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 18h14.

"Não adianta lançar e vender num ritmo, mas repassar em outro", afirma Leonardo Mesquita, vice-presidente comercial da Cury (CURY3). O desempenho da incorporadora no último trimestre de 2025 exemplificou bem isso. Os três últimos meses do ano marcaram uma desaceleração estratégica no volume de lançamentos, seguindo uma tendência histórica da companhia de concentrar novos projetos no início do ano.

O grande objetivo do trimestre não é o lançamento ou a venda, mas sim o repasse de unidades, a redução de estoque e a geração de caixa. "A empresa foca em 'apertar' a operação para garantir que tudo o que foi vendido ao longo do ano seja repassado aos bancos, podendo encerrar o ciclo anual de forma positiva", diz o executivo em entrevista à EXAME

E o chute foi certeiro: o destaque do trimestre foi a geração de caixa operacional, que superou os R$ 321 milhões, recorde histórico para um único trimestre dentro da operação da Cury. Um fator que contribuiu para que esse número viesse acima do esperado foi o alto volume de contratos registrados em cartório no período.

"Durante o quarto trimestre, conseguimos repassar mais unidades do que vendemos, o que reforça a estratégia de focar na conclusão dos processos financeiros das unidades já comercializadas para entrar no ano seguinte de forma mais leve", afirma Mesquita. A geração de caixa do quarto vei0 mais de 100% maior do que a registrada um ano antes, e 37,8% maior em relação ao trimestre anterior. O volume repassado foi de R$ 1,49 bilhão, avanço de 60,9% na comparação anual.

Se os repasses levaram à geração de caixa, a geração de caixa levou aos dividendos gordos: trimestre foi marcado por um pagamento recorde.

Caixa à parte, o movimento também foi impulsionado por uma antecipação estratégica da diretoria para distribuir o máximo de resultados possível antes da entrada em vigor de uma nova tributação, visando beneficiar os acionistas ainda sob a regra antiga. A companhia distribuiu R$ 1 bilhão em dividendos só no quarto trimestre, turbinando os retornos aos acionistas no encerramento do ano.

Lançamentos e vendas menores

No quarto trimestre, a companhia lançou cinco empreendimentos, somando R$ 1,29 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) — queda de 35,1% em relação ao terceiro trimestre e de 7,9% na comparação anual.

O preço médio por unidade no trimestre subiu 15,4%, alcançando R$ 336,4 mil. Ainda assim, o volume de vendas líquidas ficou em R$ 1,56 bilhão, recuo de 14,8% frente ao trimestre anterior, mas alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.

A VSO líquida (vendas sobre oferta) ficou em 39,3%, abaixo dos 40,6% do trimestre anterior e dos 43,7% do mesmo trimestre de 2024. Cerca de 91% das unidades vendidas tinham preço de até R$ 500 mil.

A produção atingiu 4.472 unidades no trimestre, crescimento de 38,7% em um ano. Já o estoque caiu 10,2% frente ao terceiro trimestre, somando R$ 2,4 bilhões em VGV — com apenas 2,6% de unidades concluídas, o que indica baixa exposição a imóveis prontos.

'Um ótimo ano para Cury'

No consolidado de 2025, a Cury bateu recordes históricos. Foram R$ 8,3 bilhões em lançamentos no ano, crescimento de 25,9% sobre 2024, distribuídos em 37 empreendimentos — 25 em São Paulo e 12 no Rio de Janeiro.

As vendas líquidas totalizaram R$ 7,8 bilhões, alta de 25,8%, enquanto a produção anual alcançou 16.789 unidades, avanço de 19,8%.

A companhia também manteve sua disciplina financeira, com R$ 683,3 milhões em geração de caixa no ano — o 27º trimestre consecutivo de resultado positivo nessa frente. O banco de terrenos cresceu 22,5% em um ano, chegando a R$ 24,6 bilhões em VGV potencial.

Em 2025, o pagamento de dividendos somou R$ 1,35 bilhão, salto de 179,6% em relação ao ano anterior.

Para 2026, Leonardo Mesquita não dá guidance, mas afirma: a intenção da companhia é continuar sendo uma empresa pagadora de dividendos. "Contanto que a empresa continue gerando caixa, como tem feito nos últimos 27 trimestres, a distribuição deve continuar".

Diferente de 2025, em que houve uma antecipação recorde de R$ 1,35 bilhão para aproveitar as regras antes de mudanças fiscais, em 2026 os dividendos serão distribuídos já sob a nova regra de tributação.

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