Manoel Martins: VP de Mercado e Marcas da MBRF (Divulgação)
Repórter
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 06h00.
A Perdigão registrou crescimento de 25% no volume de vendas ao consumidor na categoria de pratos prontos e alcançou 27,2% de participação de mercado em valor no Brasil, segundo dados divulgados pela MBRF, controladora da marca. O resultado representa um avanço de 6,8 pontos percentuais em relação a 2025 e coloca a marca na segunda posição do segmento.
O desempenho foi impulsionado pela linha Perdigão Meu Menu, voltada a refeições individuais. De acordo com a companhia, o faturamento desse portfólio nos canais de autosserviço e atacarejo se multiplicou por 50.
Em entrevista à EXAME, Manoel Martins, VP de Mercado e Marcas da MBRF, atribui o avanço à combinação de desenvolvimento de produtos, distribuição e execução no varejo. Segundo ele, a companhia procura conciliar os elementos buscados pelo consumidor com preço e rentabilidade para os pontos de venda.
“Foi um trabalho que passa por distribuição, execução de loja e produto no preço correto”, afirma. “Conseguimos distribuir a linha para todos os nossos canais de vendas.”
A expansão ocorre em um mercado que apresenta crescimento de dois dígitos em volume e faturamento, segundo dados da Nielsen Retail citados pela empresa. A busca por refeições que demandam menos tempo de preparo está entre os fatores apontados pela Perdigão para explicar o avanço da categoria.
Na avaliação de Martins, essa demanda já existia, mas a oferta de produtos passou a atender melhor às expectativas dos consumidores.
“O consumidor sempre buscou praticidade e conveniência. Hoje, a indústria está conseguindo entregar isso”, diz.
Para ampliar a presença nesse mercado, a Perdigão adicionou à linha Meu Menu pratos com até 42 gramas de proteína por porção e colágeno na composição. Os produtos são vendidos em embalagens de 300 gramas.
As opções são carne moída com purê de batata e arroz com brócolis e fricassê de frango com arroz com legumes. A aposta, segundo a marca, busca atender à demanda por alimentos com maior teor proteico e ingredientes associados à nutrição funcional.
Martins afirma que a escolha dos atributos parte de pesquisas sobre tendências, hábitos e ocasiões de consumo. A proposta é combinar a facilidade de preparo com uma composição que, segundo a companhia, atenda à busca por refeições equilibradas.
“O consumidor busca mais do que conveniência e praticidade. Ele busca uma refeição equilibrada. Dentro dessa refeição, colocamos a proteína como destaque e também o colágeno”, afirma.
A combinação inclui acompanhamentos conhecidos do consumidor, como arroz, brócolis e outros vegetais, em uma embalagem voltada ao consumo individual.
“O consumidor brasileiro busca alternativas que otimizem o tempo sem comprometer o equilíbrio nutricional e a qualidade da alimentação”, afirma Aline Alexandrino, gerente executiva de marketing da Perdigão.
Segundo a executiva, a tecnologia utilizada nas refeições preserva sabor, textura e nutrientes sem adição de conservantes.
Além do tempo de preparo, Martins aponta o custo das refeições fora de casa e dos pedidos de delivery como fatores que podem favorecer o consumo de pratos prontos. Na avaliação do executivo, a possibilidade de comprar uma refeição no supermercado e levá-la para casa ou para o trabalho amplia as ocasiões de consumo.
“Está caro comer fora. O consumidor vai ao mercado, compra a refeição e leva para casa ou para o escritório”, diz.
O executivo também associa essa oportunidade à retomada do trabalho presencial e à disponibilidade de copas e micro-ondas nos escritórios. Esses espaços permitem que o consumidor aqueça a refeição comprada no varejo.
A entrevista, porém, não apresenta dados que quantifiquem uma eventual substituição de pedidos de delivery ou de refeições em restaurantes pelos produtos da linha.
Para Martins, sustentar o crescimento depende de transformar a experimentação em compras recorrentes. Isso exige que o produto atenda às expectativas do consumidor e encontre espaço em uma operação rentável para o varejista.
“O sucesso de uma empresa que trabalha com produtos alimentícios, na minha visão, é a recompra de um produto que o consumidor já aprovou”, afirma.
A estratégia para ampliar o consumo combina inovação para quem já compra pratos prontos e expansão da distribuição para alcançar novos consumidores. Segundo Martins, a companhia organiza sua atuação comercial por canais de venda, com mais de 85 tipologias de varejo, e quatro regionais.
“Trabalhamos em duas frentes: inovação para quem já compra pratos prontos e expansão, por meio da nossa malha de clientes e logística, para quem ainda não compra e não teve acesso ao produto”, diz.
No atacarejo, uma das principais dificuldades é acomodar refeições individuais em lojas que também trabalham com grandes embalagens e produtos destinados a comerciantes. Como os pratos precisam de refrigeração, sua exposição depende de espaço nos freezers.
A decisão de incluir um lançamento exige avaliar o desempenho dos produtos que já ocupam esse espaço. Segundo Martins, a companhia precisa demonstrar ao varejista que a troca pode preservar ou melhorar as vendas.
“Não posso tirar um produto e colocar outro que não tenha o mesmo desempenho. O grande desafio foi introduzir um item em um espaço limitado que vendesse igual ou melhor do que aquilo que já estava ali”, afirma.
Para orientar essas decisões, a MBRF cruza categorias, regiões e perfis de clientes. A distribuição pode começar em um grupo de pontos de venda, com acompanhamento dos resultados antes de uma expansão mais ampla.
“Identificamos a regional que mais puxa o consumo do produto, fazemos uma lista de clientes e distribuímos para essa lista. Acompanhamos como vai e depois ampliamos”, explica.
O avanço da Perdigão também contribuiu para o desempenho da MBRF, dona da marca e da Sadia. Segundo o comunicado, a companhia alcançou 65,9% de participação em volume na categoria de pratos prontos neste ano.
Nos recortes de participação em valor apresentados pela empresa, a Sadia aparece na liderança, com 34,6%. A Perdigão registra 31,3% nos dados descritos como mais recentes, percentual diferente dos 27,2% informados no balanço anterior. O comunicado não detalha os períodos de referência dos dois recortes, e a entrevista não esclarece essa diferença.
Martins afirma que a inovação é uma das frentes utilizadas para sustentar a posição das marcas. O trabalho envolve tanto novas receitas quanto mudanças em embalagens e formas de preparo, orientadas por pesquisas sobre o consumidor.
“Nossas marcas são líderes de mercado, e isso traz a responsabilidade de sempre apresentar uma novidade. A inovação é fundamental para nós”, diz.
Para Meu Menu, o próximo passo é ampliar a variedade de refeições e tornar a linha uma opção mais frequente na rotina do consumidor. Segundo Martins, a estratégia prevê lançamentos contínuos para atender a diferentes preferências e ocasiões de consumo.
“O consumidor não vai comer feijoadinha todo dia nem frango com molho oriental todo dia. Ele vai querer uma novidade. Nossa estratégia é desenvolver produtos o tempo todo”, afirma.
O executivo diz que a companhia procura adaptar sua estrutura produtiva aos produtos que identifica como desejados pelo público. Isso envolve investimentos industriais e a busca por fornecedores de ingredientes e embalagens.
“A companhia adapta sua linha de produtos e investe para entregar aquilo que o consumidor deseja”, afirma.
Entre as possibilidades avaliadas pela área de inovação estão embalagens que facilitem o aquecimento e novas combinações de proteínas, carboidratos e vegetais. No entanto, o executivo não informou um valor de investimento específico para Meu Menu nem um calendário de lançamentos.
“A estratégia da companhia é de expansão, com aumento de participação de mercado nas nossas linhas”, diz Martins.