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Shoppings caem nas graças de investidores receosos com varejo

Ganhos vêm de uma recuperação dos lucros, que deve continuar com a aceleração da economia e a queda dos juros

Shoppings: setor tem reviravolta positiva após ser duramente castigado pela pandemia (Jason marz/Getty Images)

Shoppings: setor tem reviravolta positiva após ser duramente castigado pela pandemia (Jason marz/Getty Images)

Bloomberg
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Agência de notícias

Publicado em 29 de dezembro de 2023 às 07h02.

Última atualização em 29 de dezembro de 2023 às 07h15.

Os shoppings centers brasileiros estão de volta às graças dos consumidores, após anos de baixas das ações, enquanto as varejistas do país lutam para sobreviver ao nível elevado de suas dívidas e à feroz concorrência do e-commerce.

As ações da Allos subiram perto de 60% este ano, a caminho de seu maior salto anual desde 2019. Seus pares Multiplan e Iguatemi avançam cerca de 30%, superando o Ibovespa.

Os ganhos dos papéis vêm de uma recuperação dos lucros, que deve continuar com a aceleração da economia e a queda das taxas de juros. A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping, conhecida como Alshop, afirma que as vendas de Natal devem atingir R$ 70 bilhões em 2023, um aumento de 5,6% em relação ao ano passado.

É uma reviravolta para um setor que foi duramente castigado pela pandemia, pelo aumento do comércio eletrônico e pelos juros altos – fatores que pesam no desempenho de algumas das maiores varejistas país. É também uma história diferente da dinâmica vista nos EUA, onde os hábitos de consumo mudaram para serviços e experiências, como férias, e shows de Taylor Swift, o que diminuiu o tráfego de pedestres nos shoppings.

“Há uma dicotomia entre o desempenho dos varejistas e dos shopping centers”, disse Thiago Lima, sócio da JGP Real Estate. “Um shopping center é um marketplace físico, cada lojista individual é pouco significativo, mas o conjunto da obra é relevante.” A JGP tem exposição na Allos e na Multiplan, disse Lima.

Gigantes do varejo doméstico enfrentaram dificuldades sob os juros altos e passaram por um maior escrutínio após a surpreendente implosão da Americanas em janeiro. A Casas Bahia, antiga Via, uma das cadeias de varejo mais populares do país, teve de vender ações com um grande desconto em setembro para ajudar a pagar dívidas. Suas ações deram aos investidores o pior retorno deste ano dentro do Ibovespa, em queda de 81%. Os papéis da concorrente Magazine Luiza caíram 21% no acumulado do ano.

A preferência também se aplica à renda fixa, com os investidores mais confortáveis ​​em manter dívidas de operadoras de shopping centers, que possuem imóveis que podem servir de garantia caso a empresa precise de mais financiamento, disse Lima. As varejistas, em sua maioria, possuem relativamente poucos ativos físicos.

É verdade que alguns varejistas de moda — que podem ser encontrados em shoppings — estão se saindo melhor do que seus concorrentes de lojas de rua. A Vivara e a C&A — que disparou cerca de 240% no ano — superaram os ganhos Ibovespa, com impulso do forte desempenho do setor de vestuário.

A Allos, a ação com melhor desempenho do setor de shopping, embarcou numa série de vendas de participações para aumentar o caixa que pode ser usado para financiar expansões. A empresa — resultado de uma fusão entre Aliansce Sonae e BR Malls Participações SA — desinvestiu cerca de R$ 1,8 bilhão desde setembro.

A expectativa é que os shoppings brasileiros continuem a gerar fortes lucros em 2024, escreveu a analista sênior da Fitch Ratings, Natália Brandão, no início de dezembro. Com aluguéis ajustados pela inflação, altas taxas de ocupação e menor taxa de inadimplência, as empresas conseguirão manter margens altas e aumentar a geração de caixa, disse a Fitch.

Oferecer não apenas lojas, mas tudo, desde salões de beleza a academias, também traz benefícios para o setor, disse Fanny Oreng, analista do Santander.

“Os shoppings nos EUA estão muito focados no varejo, então se tornam um destino de compras em vez de uma opção de entretenimento”, disse ela. “Em um país como o Brasil, onde a economia é super-cíclica, as operadoras de shopping centers sempre tiveram que adaptar seu mix e se reinventar.”

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