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Risco baixo, retorno alto: a aposta da gestora de R$ 10 bilhões para 2024

Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, revela em entrevista à Exame onde vê as melhores oportunidades em crédito privado

Ulisses Nehmi, CEO da Sparta: "Os títulos AAA (a mais alta nota de crédito) foram a aposta de 2023. Mas, neste ano, as melhores oportunidades estarão em títulos AA e A" (Leandro Fonseca/Exame)

Ulisses Nehmi, CEO da Sparta: "Os títulos AAA (a mais alta nota de crédito) foram a aposta de 2023. Mas, neste ano, as melhores oportunidades estarão em títulos AA e A" (Leandro Fonseca/Exame)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Publicado em 8 de janeiro de 2024 às 11h51.

Última atualização em 8 de janeiro de 2024 às 15h52.

Há exatamente um ano o mercado de crédito privado atravessava uma de suas maiores crises, após o escândalo das Americanas ter provocado pânico entre detentores de dívida corporativa. Rendimentos negativos e resgates bilionários marcaram os fundos de renda fixa nos primeiros dias de 2023, provocando grandes disfunções de preços entre os ativos. Embora a crise da varejista tenha adentrado 2024, a foto do mercado de crédito privado é bem diferente, com quase R$ 20 bilhões entrando na classe de renda fixa como um todo somente na primeira semana do ano. É nesse cenário que Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, vê espaço para arriscar. "Os títulos AAA (a mais alta nota de crédito) foram a aposta de 2023. Mas, neste ano, as melhores oportunidades estarão em títulos AA e A", afirma em entrevista à Exame Invest.

Focada em crédito privado de alto grau de investimento, a Sparta tem R$ 10 bilhões sob gestão, sendo uma das referências no mercado de dívida corporativa. A aposta, no ano passado, em títulos AAA teve a finalidade de aproveitar, com nomes de alta confiabilidade, as discrepâncias de preços geradas em todo mercado. Além de alguma normalização ao longo do segundo semestre, Nahmi avalia que o ciclo de queda de juros iniciado no ano passado pelo Banco Central tem contribuído para a melhora das taxas.

"Como a maior parte das dívidas é pós-fixada, a queda de juros melhora o risco de crédito. Quem sente esse efeito primeiro são os títulos AAA, de empresas com uma melhor estrutura de capital. Essa maior demanda levou a uma discrepância de preços em relação a títulos com notas mais baixas. Nesse segundo momento, títulos A e AA deverão ser beneficiados", diz Ulisses Nehmi.

Essa diferença de preços é observada pelo spread de crédito, que a remuneração paga pelo risco de a empresa não conseguir honrar sua dívida. Esse spread em títulos AAA está em 0,7% para títulos com vencimento em um ano, segundo dados da Anbima. Os spreads em títulos A e AA estão pagando o dobro, 1,52% e 1,36%, respectivamente.

"A demanda deve ser maior por esses ativos neste ano. Mas tem títulos com nota A que podem cair para BBB, mesmo no meio do ciclo de corte de juros. Essas empresas tem uma estrutura de capital menos robusta. Por isso, podem ter sido mais afetadas pelo pico da taxa de juros", pontua Nehmi.

Debêntures entre setores

Dentro dessa seara, Nehmi vê diferentes oportunidades entre os setores. No varejo, por exemplo, a Sparta tem mantido maior cautela. "Ainda há desconfianças no mercado, o que pode dificultar a melhora das taxas. Isso só deve melhorar quando os juros estiverem ainda mais baixos e atividade aquecendo. Até lá, vemos melhores oportunidades." A principal, afirmou Nehmi, são os títulos de empresas de infraestrutura. Além deste ser um setor mais estável e ainda estarem com taxas atrativas, essas empresas podem emitir debêntures incentivadas para financiar projetos, isentando o investidor pessoa física do imposto de renda.

Na avaliação de Ulisses Nehmi, as debêntures incentivadas de infraestrutura estão, hoje, entre as melhores opções de investimento. "Há uma expectativa de rentabilidade atrativa e um nível de risco baixo."

Embora o incentivo fiscal dessas debêntures não seja uma novidade, Nehmi espera que, agora que os fundos exclusivos serão tributados, parte dos recursos migre para esses produtos. "Esses fundos gerem cerca de R$ 1 trilhão. Então, qualquer 10% que entre em debêntures incentivadas tem potencial de mexer com esse mercado." Por outro lado, com a queda de juros, há a expectativa de uma nova onda de emissão de debêntures de infraestrutura, aumentando também a oferta. "Poderá haver momento em que será mais atrativo comprar no mercado secundário ou no primário. Como um gestor pode atuar nesses dois mundos, isso pode ajudar os fundos a extraírem valor para os investidores.

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