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Powell em Jackson Hole, inflação nos EUA, recompra do Itaú, IMC e o que mais move o mercado

Discurso de presidente do Fed desta sexta pode consolidar apostas de mais uma alta de juros de 0,75 ponto percentual em setembro

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, discursa hoje às 11h (de Brasília) (Ting Shen/Bloomberg via/Getty Images)

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, discursa hoje às 11h (de Brasília) (Ting Shen/Bloomberg via/Getty Images)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

26 de agosto de 2022, 13h45

Enfim, chegou o dia do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole. O evento é o mais aguardado das últimas semanas e pode exprimir novas tendências no mercado financeiro mundial, dependendo das sinalizações do chairman do principal banco central do mundo. O pronunciamento de Powell está previsto para às 11h de Brasília.

O tom do discurso de Powell poderá dar mais clareza não apenas sobre a magnitude da próxima alta de juros nos Estados Unidos como sobre a intensidade do ciclo de aperto monetário. A expectativa é de que, diante de dados fortes do mercado de trabalho e a inflação em níveis ainda historicamente elevados, o presidente do Fed adote uma postura mais contracionista em relação à da última decisão de juros, em que parte dos economistas consideraram mais "dovish".

Após a coletiva de julho, após a decisão que elevou a taxa de juros do Fed para entre 2,25% e 2,50%, investidores chegaram a considerar um arrefecimento do ritmo de alta de juros como o cenário mais provável. Mas o contexto mudou, com a expectativa de mais uma elevação de 0,75 ponto percentual para entre 3% e 3,25% se tornando cada vez maior.

A probabilidade, nesta manhã, está em 62,5% contra 37,5% de uma alta mais branda, de 0,50 p.p., segundo monitor do CME Group. Declarações mais duras de Powell em Jackson Hole poderão consolidar ainda mais as apostas de uma nova alta de 0,75 p.p. na próxima decisão, em setembro.

Mas antes mesmo do discurso, um novo elemento deve se somar às projeções de economistas para os juros dos Estados Unidos: o Índice de Preço sobre Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês). O indicador é utilizado pelo Fed como um dos principais termômetros da inflação americana e, caso saia acima das projeções, pode aumentar a percepção de que há muito para ser feito para controlar a alta de preços no país. O consenso para o núcleo PCE mensal referente a julho é de 0,3% de alta e para o anual, de 4,7%.

A bateria de dados e ansiedade para o discurso de Powell mantêm investidores mais cautelosos nesta manhã de sexta-feira, 26, com bolsas de valores em queda. Já o dólar, que tende a se beneficiar de juros mais altos nos Estados Unidos, opera sem uma direção definida, com traders de câmbio à espera dos próximos acontecimentos para buscarem maior exposição.

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Desempenho dos indicadores às 7h30 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): - 0,20%
  • S&P 500 futuro (Nova York): - 0,32%
  • Nasdaq futuro (Nova York): - 0,49%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,08%
  • DAX (Frankfurt): - 0,28%
  • CAC 40 (Paris): - 0,21%
  • Hang Seng (Hong Kong)*: + 1,01%
  • Shangai Composite (Xangai)*: - 0,31%

Eleições (ainda) sem grande volatilidade

No Brasil, todas as atenções seguem como Jerome Powell, a despeito da aproximação das eleições. Embora economistas estejam acompanhando os discursos dos principais presidenciáveis, como a entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva ao Jornal Nacional, o mercado segue praticamente alheio aos movimentos da política interna.

A menor volatilidade dessas eleições -- que vem se apresentando até agora -- já era esperada por parte dos investidores, por considerar que, independentemente do vencedor, não deverá haver grandes alterações da dinâmica econômica do país. Outra parte do mercado, no entanto, vem adotando maior cautela, conforme o pleito se aproxima. O fundo Verde e o banco suíço Lombard Odier, por exemplo, acreditam que a volatilidade típica do período eleitoral ainda dará as caras no mercado brasileiro.

Itaú: R$ 2 bi em recompra de ações

O Itaú (ITUB4) anunciou na última noite a aprovação para o programa de recompra de até 75 milhões de ações preferenciais até 24 de fevereiro de 2024. O programa de recompra pode movimentar mais de R$ 2 bilhões, considerando a cotação atual do papel, de R$26,85.

IMC vende Carl's Jr.

A International Meal Company (IMC, MEAL3), dona de marcas como Frango Assado e Pizza Hut no Brasil, anunciou a venda da Carl's Jr. no Panamá. A companhia classificou a operação como "mais um passo importante na agenda de transformação e simplificação do negócio, que visa extrair maiores sinergias entre as operações existentes e reduzir a complexidade de gestão". As ações do IMC acumulam mais de 10% de queda no ano e cerca de 75% em relação aos níveis pré-pandemia.

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