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Petrobras não anuncia dividendos extraordinários e perde R$ 62 bi em valor de mercado; ação cai 12%

Companhia informou que manterá R$ 43,9 bilhões em reservas; mercado espera entre R$ 15 e 25 bilhões de distribuição extra

 (Budrul Chukrut/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

(Budrul Chukrut/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Publicado em 8 de março de 2024 às 10h58.

Última atualização em 8 de março de 2024 às 12h52.

As ações da Petrobras (PETR4) desabam cerca de 12% na manhã desta sexta-feira, 8, com investidores repercutindo negativamente a decisão de não anunciar os dividendos extraordinários, tradicionalmente apresentados juntos ao resultado do quarto trimestre. A queda é a mais forte desde fevereiro de 2021 e provoca R$ 62 bilhões de perda de valor de mercado para a companhia.

O lucro da Petrobras foi de R$ 31,04 bilhões no quarto trimestre, representando uma queda de 28,4% frente ao mesmo período do ano passado. Preços mais baixos do petróleo pressionaram a queda de lucro no período. O dividendo do período aprovado pelo Conselho de Administração foi de R$ 14,2 bilhões. A expectativa do Itaú era de o dividendo fosse R$ 2 bilhões mais alto. Mas o resultado, diante do contexto, foi só um detalhe. 

Em fato relevante divulgado na véspera, após a apresentação do balanço, a Petrobras informou que seu Conselho de Administração decidiu manter o lucro remanescente de R$ 43,9 bilhões em reserva. O valor, de acordo com a companhia, tem a "finalidade de assegurar recursos para o pagamento de dividendos, juros sobre o capital próprio, suas antecipações e recompras de ações".

"Não esperávamos que a empresa pagasse todo o valor disponível para a remuneração extraordinária. Mas também não esperávamos que a Petrobras não pagasse nada nessa frente", afirmam em relatório os analistas do Safra.

O consenso do mercado era de que a Petrobras pagasse em dividendos extraordinário algo entre R$ 15 e R$ 25 bilhões — bem abaixo da perda de valor de mercado registrada nesta sexta.

Analistas do Itaú BBA pontuaram que a decisão da Petrobras de manter os lucros remanescentes em reserva foi "uma notícia que ninguém gostaria de ouvir". O questionamento que fica, segundo o banco, é sobre onde a empresa irá alocar esse capital no futuro.

Para o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame), a distribuição do dividendo extraordinário seria uma "excelente" sinalização do governo de que a companhia tentaria aliar o crescimento em setores verdes com os interesses de minoritários. Sem o pagamento extra, afirma o banco, "aumenta a percepção de risco sobre a ação".

BTG mantém recomendação de compra

O BTG, no entanto, vê razões para manter a recomendação de compra para a ação. A principal é a possibilidade de o mercado passar a revisar o lucro para cima.

O banco também avalia que o dinheiro destinado à reserva seria suficiente para comprar de 100% da Vibra e uma participação de 50% na refinaria Maratipe. "Além disso, mesmo assumindo a orientação de investimento para 2024, a Petrobras ainda deverá gerar US$ 4 bilhões em dinheiro extra este ano, o que significa que a reserva de capital continuaria a crescer. Por fim, ressaltamos que a reserva de capital constituída somente poderá ser utilizada (a partir de hoje) para garantir recursos para remuneração dos acionistas. Portanto, usá-lo para outros fins exigirá alterações no estatuto."

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