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Payroll com Fed no radar, descontão em oferta do IRB e o que mais move o mercado

Investidores aguardam dados oficiais do mercado de trabalho dos Estados Unidos; números devem balizar próximos passos do Fed

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Samuel Corum/Getty Images)

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Samuel Corum/Getty Images)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

2 de setembro de 2022, 10h22

Bolsas de valores operam sem uma direção definida na manhã desta sexta-feira, 2, refletindo a maior cautela de investidores antes da divulgação dos dados oficiais do mercado de trabalho americano, prevista para às 9h30.

A expectativa de economistas é de que o payroll revele a criação de 300.000 empregos urbanos no mês de agosto, que seria a menor desde dezembro. Números mais fracos, dado o contexto atual, tendem a provocar efeitos positivos no mercado financeiro, com investidores precificando um aperto mais brando da política monetária do Federal Reserve.

A falta de mão de obra nos Estados Unidos, por sinal, foi um dos pontos criticados pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em discurso de Jackson Hole, na sexta-feira passada. Segundo ele, a situação pode puxar ainda mais a inflação de salários, retroalimentando a alta de preços no país. As falas foram interpretadas como um sinal de que o tão desejado "pouso suave" será muito improvável.

Powell ainda afirmou que a magnitude da próxima alta de juros, na reunião do dia 21, dependerá da "totalidade dos dados" que serão divulgados até lá -- e um dos mais aguardados é justamente o payroll. Nasdaq e bolsas da Europa não subiram mais desde as declarações de Powell. São cinco pregões consecutivos de queda, com a chance de mais uma dura alta de 0,75 ponto percentual sendo precificada acima de 70%. As apostas eram de 50% para uma alta mais branda, de 0,50 p.p., antes do discurso.

Dados desta sexta deverão ter papel fundamental nas políticas do Fed e, consequentemente, nas perspectivas do mercado. Além da criação de empregos do payroll, serão divulgadas a taxa de desemprego, para qual a expectativa é de manutenção do patamar de 3,5%, e a variação de salários, medida pelo ganho médio por hora trabalhada. Economistas projetam alta de 0,4% de salários em agosto, com aceleração do crescimento anual de 5,2% para 5,3%.

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Desempenho dos indicadores às 7h25 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): + 0,01%
  • S&P 500 futuro (Nova York): - 0,04%
  • Nasdaq futuro (Nova York): - 0,19%
  • DAX (Frankfurt): + 1,35%
  • CAC 40 (Paris): + 0,53%
  • FTSE 100 (Reino Unido):+- 0,60%
  • Stoxx 600 (Europa): + 0,60%
  • Hang Seng (Hong Kong)*: - 0,74%
  • Shangai Composite (Xangai)*: + 0,05%

Suspiro das commodities

As políticas do Fed têm provocado consequências no mundo todo, mas um fator em especial tem penalizado o mercado brasileiro nos últimos dias: a queda de preços de commodities, dada a participação do setor no índice. O barril de petróleo e a tonelada de minério de ferro caíram nesta semana para abaixo de US$ 100, em meio a preocupações sobre o nível da demanda diante de perspectivas recessivas para os Estados Unidos e novas restrições na China. O cenário, contudo, é levemente positivo nesta manhã, com o minério de ferro fechando em alta na China e o petróleo subindo pouco mais de 2%.

IRB: descontão em oferta

O IRB levantou R$ 1,2 bilhão em follow-on, com as ações sendo precificadas a R$ 1. O desconto foi de 28,57% em relação ao preço do último fechamento, quando as ações da resseguradora fecharam cotadas a R$ 1,40. A diferença de preços teria sido ainda maior se não fossem as quedas dos últimos dias. Os papéis, que têm o maior volume de posições vendidas da bolsa, desabaram 32% nos últimos cinco pregões. O dinheiro arrecadado na oferta será utilizado para cumprir as regras de capital mínimo da Superintendência de Seguros Privados, a Susep.