Invest

Lucro trimestral da Microsoft cresce 23% para US$ 31,8 bi e vem acima do esperado

Lucro por ação e receita ficaram acima do consenso, mas custos pressionaram margens; ação cai

Microsoft: capex elevado pressiona margem da companhia (Jean-Luc Ichard/Getty Images)

Microsoft: capex elevado pressiona margem da companhia (Jean-Luc Ichard/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 29 de abril de 2026 às 17h52.

Última atualização em 29 de abril de 2026 às 17h53.

Priorizar nos meus resultados Google

A Microsoft encerrou o terceiro trimestre do ano fiscal de 2026 (janeiro a março deste ano) com lucro líquido de US$ 31,8 bilhões, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número inclui efeitos não recorrentes e o retorno do investimento da companhia na OpenAI, dona do ChatGPT. O crescimento foi impulsionado pela nuvem e pelos serviços de inteligência artificial.

O lucro por ação diluído foi de US$ 4,27, avanço de 23% sobre os US$ 3,46 registrados no terceiro trimestre de 2025. O resultado veio acima do consenso do mercado, que esperava o valor de US$ 4,06.

A receita total somou US$ 82,9 bilhões, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, ou 15% em moeda constante, também superando as estimativas. A empresa opera em três segmentos: Produtividade e Processos de Negócios (US$ 35,0 bilhões, +17%), Nuvem Inteligente (US$ 34,7 bilhões, +30%) e Computação Pessoal (US$ 13,2 bilhões, -1%).

O principal motor do trimestre foi a Nuvem Inteligente, impulsionada pelo Azure, cujas receitas cresceram 40%. O segmento de Produtividade também avançou com força, sustentado pelo Microsoft 365 e pelo Copilot, que já ultrapassa 20 milhões de assentos pagos. A receita agregada de nuvem da Microsoft, métrica que consolida as receitas de serviços em nuvem dos três segmentos, atingiu US$ 54,5 bilhões, alta de 29%.

O único segmento que recuou foi o de Computação Pessoal, com queda de 1%, pressionado pela retração em hardware e jogos. O Xbox caiu 5% e o Windows OEM e Dispositivos, 2%. A publicidade no Bing avançou 12% e foi o único destaque positivo do segmento.

O custo de receita avançou 22%, ritmo superior ao crescimento da receita de 18%, e pressionou a margem bruta em 1 ponto percentual, para 68%. A aceleração reflete os investimentos em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial, que encarecem a entrega dos serviços antes de gerar retorno proporcional.

As despesas operacionais, por outro lado, cresceram apenas 9%, bem abaixo da receita, o que compensou a pressão no custo de receita e permitiu à margem operacional avançar 1 ponto percentual, para 46%. No agregado, os custos totais da companhia cresceram 17%, abaixo dos 18% de expansão da receita.

O capex total, incluindo ativos adquiridos por meio de arrendamentos financeiros, foi de US$ 31,9 bilhões no trimestre, alta de 49% na comparação anual.

Cerca de dois terços do investimento foram destinados a ativos de vida curta, principalmente GPUs e CPUs, para suportar a demanda pelo Azure, aplicações de inteligência artificial e o ciclo de P&D. O terço restante foi alocado em infraestrutura de longa duração, como os próprios data centers, cuja vida útil estimada se estende pelos próximos 15 anos ou mais.

A dívida bruta da Microsoft encerrou o trimestre em US$ 40,3 bilhões, queda de 7% em relação aos US$ 43,2 bilhões registrados em junho de 2025. Com caixa e investimentos de curto prazo de US$ 78,3 bilhões, a empresa mantém uma posição de caixa líquido positivo de US$ 38,0 bilhões.

O fluxo de caixa operacional de US$ 46,7 bilhões no trimestre corresponde a 1,2 vez a dívida bruta total, o que indica capacidade folgada de cobertura. A redução do caixa líquido em relação a junho de 2025, quando era de US$ 51,4 bilhões, reflete a intensidade do ciclo de investimentos em infraestrutura.

A ação da empresa cai mais de 2% no after hours após a divulgação do balanço.

Acompanhe tudo sobre:MicrosoftTecnologiaBalanços

Mais de Invest

Venda de precatórios dispara em SP; veja quando vale a pena e quais são os riscos

EWZ: o ETF gringo que virou termômetro da eleição e o que ele indica para domingo

Construtoras faturam R$ 10 trilhões no mundo, e só uma brasileira está no top 100

Ibovespa subiu 7% entre 1º e 2º turno da eleição; veja as ações que mais ganharam