IPO da Porsche atrai investidores e deve precificar no topo da faixa de preço

Com isso, a Porsche estaria avaliada em mais de € 75,2 bilhões, realizando o segundo maior IPO da história da Alemanha
Porsche (Porsche/Divulgação)
Porsche (Porsche/Divulgação)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 26/09/2022 às 18:39.

Última atualização em 26/09/2022 às 18:48.

A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Porsche está atraindo um número cada vez maior de investidores.

A fabricante alemã de carros de luxo esportivos vai abrir seu capital nesta quarta-feira, 28, movimentando € 9,4 bilhões com a distribuição de 12,5% das ações sem direito de voto.

Com isso, o IPO da Porsche deveria precificar no topo da faixa de preço, que vai de € 76,50 até € 82,50 por ação, após a montadora informar que quem tentar adquirir ações para menos do topo da faixa vai perder a alocação.

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Caso esse preço se confirme, se tornaria a segunda maior oferta pública de ações da história da Alemanha, após o IPO da estatal telefônica Deutsche Telekom em 1996, por US$ 13 bilhões.

A Porsche estaria avaliada em mais de € 75,2 bilhões.

Aparentemente, os investidores estão ignorando os problemas de governança da empresa, entusiasmados pelos números muito positivos.

Porsche impressiona pelos resultados do balanço

A Porsche registrou uma receita de € 33,1 bilhões em 2021, com um lucro operacional de € 5,3 bilhões e um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), na sigla em inglês, de € 7,4 bilhões, o que representa uma margem Ebitda de 24,5%.

Uma margem excelente, mais do que o dobro dos concorrentes do mercado automotivo, mas menos do que a margem Ebitda de 35,7% obtido pela Ferrari em 2021.

As receitas da Porsche cresceram 8% no primeiro semestre de 2022 com forte geração de caixa de € 3,9 bilhões. A previsão para este ano é de uma venda de 300 mil veículos. Um resultado ainda mais positivo se considerarmos a fraqueza geral da indústria automobilística.

A principal questão para os potenciais acionistas da Porsche é se a empresa pode fazer uma transição energética bem-sucedida para se tornar totalmente eletrificada, preservando ou até expandindo as margens. O objetivo da Volkswagen com a operação é justamente financiar o desenvolvimento de outros setores, principalmente dos carros elétricos.

A Volkswagen prometeu que as sinergias continuarão a existir com a Porsche, mas para o sucesso futuro da casa de carros de luxo a chave será sua maior autonomia.

Entretanto, investir em Porsche não é algo isento de riscos. Um dos principais problemas que o investidor poderia encontrar é a crescente crise do custo de vida, já que o aumento dos preços de energia está reduzindo a renda disponível na Europa.

O setor mais impactado, devido à queda da demanda, é justamente o setor de bens de luxo do qual a montadora faz parte.

Outro risco para a Porsche é dado por um cenário em que o euro volte a valorizar, o que reduziria o valor das vendas internacionais e sua competitividade no exterior. A guerra na Ucrânia ou os novos surtos de covid podem ter um impacto nas cadeias de suprimentos e na demanda por carros montadora alemã..