Eleições 2026: Lula mira nos indecisos e Flávio promete mudança aos eleitores
Colaboradora
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 20h38.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu votos aos eleitores que não o escolheram no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou a própria candidatura como símbolo de mudança. As duas estratégias marcaram a estreia da propaganda eleitoral gratuita na televisão para o segundo turno das eleições presidenciais, nesta sexta-feira, 9 de outubro.
Nos programas, os candidatos também falaram em prosperidade e apresentaram propostas para áreas como educação, segurança pública e programas sociais.
Lula associou uma eventual vitória de Flávio a riscos de retrocesso, enquanto o senador negou que pretenda acabar com benefícios sociais.
A propaganda eleitoral gratuita segue até 23 de outubro. O segundo turno será realizado no dia 25, quando os eleitores escolherão entre os dois candidatos.
Flávio concentrou sua mensagem no discurso de mudança. Na propaganda, a campanha repetiu as palavras “mudança” e “mudar” 22 vezes em cinco minutos.
O senador afirmou que a segunda etapa da disputa representa a continuidade de uma transformação iniciada no primeiro turno. Também declarou que o país não estaria mais dividido e que os brasileiros teriam escolhido um novo caminho.
A campanha apresentou apoios políticos recebidos pelo candidato, incluindo manifestações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e dos ex-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Flávio também prometeu criar o Ministério da Prosperidade, voltado a pessoas interessadas em estudar, fazer cursos, empreender, obter crédito e abrir negócios. No entanto, não detalhou como a nova estrutura funcionaria.
Na área social, o senador afirmou que pretende manter o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Farmácia Popular.
Também prometeu reajustar o valor do Bolsa Família e reduzir as parcelas do programa habitacional, sem apresentar, na propaganda, detalhes sobre como essas medidas seriam financiadas.
Na segurança pública, voltou a defender a classificação de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
Também prometeu construir cinco presídios federais de grande porte e criar o programa Smart Brasil, inspirado em sistemas de monitoramento por câmeras.
Lula direcionou parte da propaganda aos eleitores que não votaram nele no primeiro turno. O presidente pediu que esse grupo considerasse suas propostas para o país, com destaque para empregos de qualidade, melhores salários e mais oportunidades.
A campanha também exibiu relatos de pessoas que votaram nulo ou escolheram outros candidatos na primeira etapa, mas declararam apoio ao petista no segundo turno.
O programa convocou eleitores a se mobilizarem nas ruas e nas redes sociais.Lula procurou contestar o discurso de mudança de Flávio. Na propaganda, afirmou que mudar não significa voltar ao passado e associou a candidatura do adversário a riscos para a democracia e para as políticas sociais.
Para sustentar a crítica, a campanha relembrou cortes e medidas adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, incluindo reduções de recursos para a educação e mudanças em programas sociais.
O presidente também apresentou propostas para a educação, como ampliar investimentos em universidades e institutos federais e universalizar o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro a estudantes do ensino médio.
A campanha mencionou ainda o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo acima da inflação, a geração de empregos e o fim da escala de trabalho 6x1.
Na área de segurança, a propaganda usou uma peça produzida com inteligência artificial para ilustrar os riscos associados à circulação de armas.
O vídeo mostrou uma criança encontrando uma arma em casa e levando o objeto à escola.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral gratuita para presidente é exibida em rede de rádio e televisão entre 9 e 23 de outubro.
Lula e Flávio têm cinco minutos cada em cada bloco de dez minutos. As campanhas também contam com inserções ao longo da programação das emissoras.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, os candidatos podem continuar apresentando propostas, respondendo às críticas dos adversários e buscando votos entre os eleitores que não os escolheram na primeira etapa.