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Ibovespa recua com ata do Copom e dólar chega a R$ 4,96

Investidores locais esperam alta de juros mais forte; nos EUA, Jerome Powell reforçou percepção de que inflação é transitória

Painél de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame (Germano Lüders/Exame)

Painél de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame (Germano Lüders/Exame)

Por Beatriz Quesada, Guilherme Guilherme

22 de junho de 2021, 18h06

O Ibovespa recuperou parte das perdas ao longo da sessão, mas encerrou esta segunda-feira, 22, em queda, com investidores repercutindo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta manhã. O documento reforçou as preocupações com inflação no Brasil e estressou o mercado. O principal índice da bolsa brasileira fechou em queda de 0,38%, aos 128.767 pontos.

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A ata mostra que o Comitê espera um novo aumento na taxa em 0,75 ponto na reunião de agosto dependendo dos riscos de inflação e das expectativas de recuperação, sem fechar a porta para um aperto monetário mais forte. Parte do mercado entendeu que o posicionamento mais duro em relação à inflação poderia fazer o BC elevar a taxa de juros em 1 ponto percentual na reunião de agosto.

"A ata trouxe um pouco de mau-humor para a bolsa. Mas é um movimento pontual, a tendência positiva permanece", diz Henrique Esteter, analista da Guide.

No câmbio, por outro lado, a percepção de um Banco Central mais "hawkish" (duro com a inflação) tem favorecido a moeda brasileira. Nesta terça-feira, o dólar recuou 1,13% contra o real e encerrou a sessão negociado a 4,96 reais – no menor patamar de fechamento desde junho de 2020.

Investidores também avaliaram o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central americano), em testemunho hoje à Câmara sobre medidas para conter a crise econômica do coronavírus. Foi a primeira fala do presidente do Fed desde que a autoridade monetária sinalizou que irá subir a taxa de juros americana em 2023, um ano antes do esperado.

O discurso, divulgado pelo Fed na noite de ontem, reforçou que o atual salto da inflação deve ser temporário. Powell afirmou que a economia dos EUA continua a mostrar "melhora sustentada" do impacto da pandemia do coronavírus e ganhos contínuos no mercado de trabalho, admitiu que a inflação "aumentou notavelmente nos últimos meses", mas destacou que o movimento não deve ser duradouro.

Destaques da bolsa

A expectativa de juros mais altos, reforçada pela ata do Copom, derrubou as ações ligadas à telecomunicações, construção e consumo. Os papéis da Tim (TIMS3) lideraram as perdas, caindo 3,81%, enquanto as ações da Telefônica (VIVT3) registraram baixa de 2,75%. 

Entre as maiores quedas do dia também estiveram os papéis da CCR (CCRO3) e da Cielo (CIEL3), que recuaram 2,93% e 3,09%, respectivamente. 

“São setores que têm um fluxo de caixa recorrente e são bons pagadores de dividendos. Então as ações acabam tendo um comportamento semelhante ao de títulos de dívida, que caem quando a Selic sobe e recuam quando a taxa de juros registra queda”, afirma Leo Monteiro, analista de research da Ativa Investimentos.

O mercado também ficou atento ao adiamento das vacinações na cidade de São Paulo, que prejudicou as expectativas de retomada econômica e penaliza as ações de consumo e de shoppings centers. Multiplan (MULT3) e BrMalls (BRML3) fecharam em queda, com recuos de 2,65% e 2,48%.

Entre os principais componentes do Ibovespa, as ações dos grandes bancos também foram negociadas em queda e contribuíram com tom negativo do pregão. O setor se beneficia de juros mais altos, mas os papéis já haviam subido na última semana e hoje passaram por correção. Bradesco (BBDC3/BBDC4) recuou 1,2% e 1,84%, enquanto Itaú (ITUB4) teve queda de 1,29% e Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,11%.

Em meio ao tom de cautela, investidores também aproveitam para realizar lucros com ações da Eletrobras (ELET3/ELET6), que encerraram o dia em queda após a Câmara aprovar a medida provisória que prevê a privatização da companhia. Os papéis preferenciais (ELET6) caíram 0,15% enquanto os ordinários (ELET3) registraram queda de 1,03%.

"Poucos ativos estavam em movimento comprador no dia de hoje. Siderurgia e mineração passaram por um movimento de correção com a alta do minério de ferro, mas não foi suficiente para sustentar a alta do Ibovespa", afirma Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

Hoje, o preço do minério de ferro teve alta de 2,96%, a 214,32 dólares a tonelada no porto de Qingdao. Reagindo à alta da commodity, a Vale (VALE3), empresa com maior peso no índice, registrou alta de 1,17%. Entre as siderúrgicas, CSN (CSNA3) avança 0,92% e Usiminas (USIM5) teve alta de 0,39%. 

O maior destaque de alta do dia foram as ações do Pão de Açúcar (PCAR3), que subiram 2,9% em meio a rumores sobre uma possível saída do Casino de sua base acionária. Na sequência, os papéis da CVC (CVCB3), avançaram 2,45% após o conselho de administração da empresa aprovar um aumento de capital de até 480 milhões de reais, com emissão de novas ações para subscrição privada. 

Outro destaque foram as ações da Totvs (TOTS3), que subiram 2,42% com a notícia de que o Credit Suisse elevou o preço-alvo do papel de 35 reais para 43 reais, mantendo a recomendação de compra. 

Maiores altas

Maiores quedas

Pão de Açúcar PCAR3

2,90%

Tim TIMS3

-3,81%

CVC CVCB3

2,45%

Cielo CIEL3

-3,09%

Totvs TOTS3

2,42%

CCR CCRO3

-2,93%