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Ibovespa fecha em queda, com bancos apagando alta conquistada pela Petrobras

Ações do setor recuam em bloco após relatório do Credit Suisse e falas de Lula sobre o BNDES

Painel de cotações da B3: Ibovespa avança com Petrobras (PETR4) (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)

Painel de cotações da B3: Ibovespa avança com Petrobras (PETR4) (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)

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Beatriz Quesada e Karina Souza

Publicado em 23 de janeiro de 2023, 10h45.

Última atualização em 23 de janeiro de 2023, 18h39.

O Ibovespa teve um dia volátil nesta segunda-feira, 23, e encerrou o pregão em queda de 0,3%. Durante boa parte do dia, o principal índice da B3 subiu apoiado na forte alta das ações da Petrobras (PETR3/PETR4). No entanto, o Ibovespa virou para queda ao final do pregão, pressionado pelas ações dos bancos que recuaram em bloco.

O setor vem sendo pressionado desde a última semana, com o pedido de recuperação judicial da Americanas (AMER3) que pode impactar a receita dos bancões, conforme relatório do Credit Suisse. Os papéis também foram pressionados por nova declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na Argentina, em sua primeira viagem internacional, o presidente afirmou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltará a financiar obras no exterior.

  • Bradesco (BBDC4): - 4,23%
  • Santander (SANB11): - 4,08%
  • Itaú (ITUB4): - 3,07%
  • BTG Pactual (BPAC11): - 1,88%
  • Banco do Brasil (BBAS3): - 0,75%

A queda só não foi maior por conta do impulso positivo das ações da Petrobras, que, na máxima, chegaram a subir 4%. A alta acompanhou os ganhos do petróleo Brent no exterior – a commodity avançou nesta segunda. O movimento de valorização do petróleo vem forte desde a última semana, com a expectativa de reabertura econômica da China.

Para Luis Novaes, analista da Terra Investimentos, a valorização expressiva da Petrobras pode estar relacionada ao fluxo estrangeiro de capital crescente, que visualiza uma oportunidade com o preço descontado das empresas nacionais. 

“Os setores ligados às commodities apresentam um bom desempenho, com a perspectiva de retomada de crescimento da China. Nesse contexto, a Petrobras sobe acompanhando a tendência positiva nos preços do petróleo no mercado internacional que já se mantém por algumas semanas”, afirma.

O fluxo positivo do mercado americano, por sua vez, teve origem na próxima decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A expectativa é que o Fed diminua o ritmo de aperto monetário em sua próxima decisão na quinta-feira, 26. 

E como juros mais altos tiram atratividade da renda variável, a expectativa de altas mais brandas trouxe novo fôlego para as ações. A principal alta foi do índice de tecnologia Nasdaq, que é o mais beneficiado com juros mais baixos.  

Investidores também estiveram atentos aos resultados divulgados nesta manhã no Boletim Focus, que trouxe estimativas de alta da inflação para este ano e para o ano que vem: o IPCA para 2023 subiu para 5,48% (ante 5,39%) e, para 2024, passou de 3,70% para 3,84%. A projeção para o PIB deste ano também subiu, passando de 0,77% para 0,79%. 

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Maiores altas

Ainda na esteira da Americanas, os papéis das concorrentes Via (VIIA3) e Magazine Luiza (MGLU3) lideraram as altas do Ibovespa. Lembrando que as ações da Americanas deixaram de fazer parte do Ibovespa nesta segunda-feira. Fora do índice, os papéis saltaram quase 17%. 

  • Via (VIIA3): + 8,37%
  • Magazine Luiza (MGLU3): + 5,76%
  • Carrefour (CRFB3): + 5,64%

Maiores baixas

Na ponta negativa, os bancos dominaram as baixas.

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