Invest

Bolsa fecha estável com ajuda de Petrobras; Bradesco desaba 8% após balanço

Ibovespa encerrou semana em queda pela segunda vez consecutiva; possível mudança em meta de inflação preocupa investidores

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

BQ

Beatriz Quesada

Publicado em 10 de fevereiro de 2023 às 10h39.

Última atualização em 10 de fevereiro de 2023 às 19h07.

O Ibovespa fechou levemente positivo nesta sexta-feira, 10, após oscilar entre perdas e ganhos ao longo do dia. A leve alta foi sustentada pelas ações da Petrobras, que subiram 3%, seguindo a valorização do petróleo no exterior.

O movimento, no entanto, não foi suficiente para impedir a segunda queda semanal do principal índice da B3. Na semana, o Ibovespa caiu 0,36%, impactado por rumores de mudança nas metas de inflação.

Segundo a Bloomberg, a equipe econômica estuda antecipar uma revisão das metas de inflação do País na tentativa de acalmar as tensões entre o Banco Central e o governo Lula. Vale lembrar que a meta de inflação determina a variação que o IPCA deve ter ao redor de um ano, e a principal função do BC é manter a inflação dentro da meta.

Após o burburinho, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou não ter conhecimento de nenhuma iniciativa para alterar as metas. 

Apesar da agitação dos últimos dias, parte no mercado avalia que poderia sera ainda pior, caso o governo tentasse reverter a independência do Banco Central. O dólar, que havia saltado para R$ 5,28 no último pregão, caiu 1% para R$ 5,22.

  • Dólar: - 1,08%, R$ 5,222

Bradesco (BBDC4) afunda após decepção com balanço

Na bolsa, o principal destaque foram as ações do Bradesco (BBDC4), que desabaram 8,19% após decepção dos investidores com o balanço divulgado na última noite. 

O banco teve queda de 76% no lucro líquido do quarto trimestre de 2022 – bem abaixo das estimativas dos analistas. O lucro líquido recorrente foi de R$ 1,595 bilhão no período, contra R$ 6,613 bilhões apurados na mesma janela do ano anterior. O consenso da Refinitiv esperava um lucro de R$ 4,4 bilhões. 

O resultado foi afetado por “recentes eventos envolvendo um cliente large corporate específico”. O banco provisionou 100% da dívida com o cliente – um montante de R$ 4,8 bilhões. Embora não tenha sido citada nominalmente, o valor corresponde à dívida que a Americanas (AMER3) tem com a instituição.

O problema, no entanto, vai além da Americanas. “Mesmo se excluirmos o efeito da varejista, o que se poderia argumentar ser um caso isolado, o Ebitda ainda estaria 30% menor na comparação trimestral e 50% menor na anual. Então o baixo desempenho vai muito além desse caso específico”, avaliam, em relatório, os analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

  • Bradesco (BBDC4): - 8,19%

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Maiores baixas

Mas a lanterna do Ibovespa nesta sexta-feira ficaram as ações da Alpargatas (ALPA4), que divulgou seu balanço na última noite. A companhia reportou um prejuízo de R$ 210 milhões no quarto trimestre, impactada pela baixa de matérias-primas e estoques. A ação desabou 18,68%, em seu pior pregão desde março de 2020. Um dos pontos de preocupação foi a queda 12% do número de pares de Havaianas vendidos no Brasil.

  • Alpargatas (ALPA4): - 18,68%

Maiores altas

Na ponta positiva, o Banco PAN (BPAN4), controlado pelo BTG Pactual (BPAC11), figurou entre os maiores ganhos, subindo mais de 3%. O banco reportou seu balanço na quarta-feira, com lucro líquido em BRGaap de R$ 191 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado ficou estável frente os R$ 190 milhões de igual período de 2021 e também sobre os R$ 193,3 milhões do trimestre imediatamente anterior.

  • Banco PAN (BPAN4): + 3,98%
Acompanhe tudo sobre:Açõesbolsas-de-valoresBradescoIbovespa

Mais de Invest

Veja o resultado da Mega-Sena, concurso 2736; prêmio acumulado é de R$ 40 milhões

Musk recebe sinal verde de acionistas da Tesla para remuneração bilionária

50 empresas que geraram mais valor aos acionistas; apenas uma é do Brasil

Vale prevê que vendas de minério e aglomerados ao Oriente Médio podem chegar a 67 milhões de t

Mais na Exame