Mercados: dólar também desacelerou o movimento de queda e terminou o dia em baixa de 0,58%, cotado a R$ 5,199, após ter tocado R$ 5,17 na mínima do dia (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 17 de março de 2026 às 17h39.
O Ibovespa perdeu força ao longo do pregão e fechou em leve nesta terça-feira, 17, refletindo a cautela dos investidores no fim do dia. O principal índice da B3 encerrou com alta de 0,30%, aos 180.409 pontos, depois de ter superado os 182 mil pontos na máxima intradiária.
No câmbio, o dólar também desacelerou o movimento de queda e terminou o dia em baixa de 0,58%, cotado a R$ 5,199, após ter tocado R$ 5,17 na mínima do dia. Em Wall Street, as principais bolsas também reduziram os ganhos ao longo da sessão, com o Dow Jones encerrando praticamente estável, com alta de 0,10%, o Nasdaq avançando 0,47% e o S&P 500 com alta de 0,25%.
A perda de fôlego dos ativos no Brasil coincidiu com a notícia de uma possível greve de caminhoneiros, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na última hora de negociação, elevando a percepção de risco no mercado.
Segundo o jornal, caminhoneiros de diferentes regiões do país estariam articulando uma paralisação nacional nos próximos dias. A greve é apontada pela categoria como protesto pelo aumento do custo do diesel e pela insatisfação com medidas adotadas pelo governo para conter a alta do combustível.
À publicação, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, disse que a articulação envolve não apenas os motoristas autônomos, que sua associação representa, mas também os "celetistas", que são contratados por empresas de transporte.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, o movimento foi influenciado pelo risco, ainda não confirmado, de paralisação. "Uma greve de caminhoneiros é algo bem negativo para os mercados. Pode impactar inflação, câmbio, curva de juros e tende a derrubar a bolsa, como vimos no passado", afirma.
Segundo o operador, o fato de ainda se tratar de uma especulação limitou uma reação mais intensa. "Se fosse algo confirmado, provavelmente o mercado teria virado para queda, mesmo com o exterior positivo".
O economista destaca que uma paralisação é mal vista por afetar cadeias de suprimento, pressionar preços de alimentos e dificultar ainda mais o cenário para a inflação, justamente em um momento em que o Banco Central avalia a política monetária e, devido à guerra no Irã, pode trabalhar com pouco espaço para cortes na Selic. A decisão será divulgada nesta quarta, 18.
Na mesma linha, Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, afirma que o mercado começou o dia em alta mais firme, acompanhando o otimismo externo, mas perdeu tração ao longo da sessão por conta do risco de paralisação dos caminhoneiros.
"O Ibovespa seguiu Nova York, que abriu em forte alta, e o dólar chegou a cair bem, mas isso foi perdendo força com notícias desencontradas sobre o conflito no Oriente Médio e, no fim da tarde, com a possibilidade de greve dos caminhoneiros, que puxou o mercado para baixo”, diz.
A piora de percepção também foi sentida na curva de juros. Adriano Casarotto, Portfólio Manager de Crédito da Franklin Templeton Brasil, afirma que as taxas passaram a subir com a notícia.
O DI para janeiro de 2027 avançou de 14,07% para 14,16%, enquanto o contrato para janeiro de 2028 subiu de 13,575% para 13,68%. Já o DI para janeiro de 2029 ia de 13,56% para 13,65%, e o de janeiro de 2031 também registrou alta, indo para 13,79%.
"Com isso, os juros futuros inverteram o movimento de queda observado no início da semana e voltaram a subir, refletindo novos riscos no radar. O mercado, que chegou a precificar recuo de até 30 pontos-base nas taxas, passou a embutir alta de 10 pontos-base, em um giro rápido de percepção", diz o gestor de crédito privado.
Entre os destaques positivos do Ibovespa, a Natura (NATU3) manteve a liderança do início ao fim das negociações, com avanço de quase 9% após a divulgação de balanço. Entre as blue chips, os papéis da Petrobras fecharam em alta, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.
Os preços da commodity continuam pressionados pelos desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, o que favorece empresas do setor de energia. No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em maio teve alta de 3,20%, cotado a US$ 103,42 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para abril subiu 2,90%, a US$ 96,21 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Ainda assim, a Brava Energia ficou entre as maiores quedas do dia, de mais de 3%, após perder a disputa por ativos da Petronas para a Petrobras. Já a Magazine Luiza foi a maior queda, com recuo de 8,13%.