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Ibovespa cede à pressão externa e cai para os 185 mil pontos

Petróleo a US$ 100 beneficiou petroleiras no Brasil, mas não foi o suficiente para sustentar o índice

Ibovespa: bolsa devolveu quase todo ganho do dia anterior (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa: bolsa devolveu quase todo ganho do dia anterior (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 17h25.

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A Bolsa brasileira devolveu os ganhos da sessão anterior nesta quarta-feira, 9, em um pregão marcado pela piora do cenário externo, com a alta do petróleo e o aumento das tensões no Oriente Médio. O Ibovespa fechou em 185.608 pontos, queda de 0,94%, enquanto o dólar subiu 0,51% aos R$ 5,116.

Para Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, o agravamento do conflito no Oriente Médio adiciona pressão sobre o mercado de petróleo e, consequentemente, sobre as expectativas de inflação.

Segundo ele, os ataques dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, a instalações sauditas de petróleo e energia colocam em dúvida os embarques pela região do Mar Vermelho, que vinha sendo utilizada como rota alternativa ao Estreito de Ormuz.

“O petróleo rompeu a barreira dos U$S 100 pela primeira vez desde o mês de julho, o que eleva as expectativas de inflação mais alta ao redor do mundo, impactando diretamente a possibilidade de alta de juros do Fed na reunião de setembro.”

Nesse cenário, a combinação entre petróleo mais caro, juros futuros americanos próximos das máximas e maiores expectativas de juros nos Estados Unidos pressionou os mercados acionários. Parente afirma que o movimento também ajuda a explicar a alta do dólar e dos juros futuros no Brasil.

“Com o mercado em nível de estresse, os investidores fogem das alocações de risco correndo para ativos mais seguros (compra de dólar) e precificando mais alta de juros nos EUA, o que tende a gerar impacto na curva de juro futura pelas maiores expectativas de inflação e consequentemente, menores chances de corte de juros (alta do DI Futuro).”

Petroleiras e exportadoras

Entre as altas do pregão, ações de empresas exportadoras e ligadas a commodities, como CSN (CSNA3), Embraer (EMBJ3) e Petrobras (PETR3; PETR4), foram beneficiadas pelo movimento do dólar e de seus respectivos mercados de atuação.

Na outra ponta, papéis mais sensíveis aos juros, como Tenda (TEND3), Vamos (VAMO3) e Magazine Luiza (MGLU3), ficaram entre as maiores quedas, acompanhando a alta dos juros futuros.

Para Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, o movimento desta quarta-feira representa uma mudança em relação ao ambiente observado nos últimos dias. Além da pressão externa, o gestor cita uma realização dos ganhos recentes da bolsa.

“O movimento contrário que vemos hoje vem muito em função da alta do petróleo e dos aumentos da tensão lá no Oriente Médio. Isso causa uma preocupação com a inflação global que adicionalmente pressiona, acho que todos os mercados emergentes ali, como o Brasil.”

O que observar nos próximos dias

Para Parente, o foco dos investidores deve permanecer dividido entre os acontecimentos externos e a política doméstica. No exterior, a evolução do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo devem continuar no radar, enquanto, no Brasil, novas pesquisas eleitorais podem aumentar a atenção sobre a disputa presidencial.

A agenda econômica também ganha peso, com a reunião do Banco Central Europeu (BCE) e o pedido de auxílio-desemprego nos Estados Unidos entre os indicadores capazes de influenciar as expectativas para os juros globais nos próximos dias, assim como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto e o Ìndice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês).

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