General Motors suspende publicidade no Twitter (TWTR34) após aquisição de Elon Musk

A montadora informou que vai continuar usando a rede social para se comunicar com seus clientes, mas não vai mais pagar para anúncios
Logotipo do Twitter (TWTR34) (Stephen Lam/Reuters)
Logotipo do Twitter (TWTR34) (Stephen Lam/Reuters)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 28/10/2022 às 18:53.

Última atualização em 28/10/2022 às 18:58.

A General Motors (GM) informou nesta sexta-feira, 28, que vai suspender a veiculação de sua publicidade no Twitter (TWTR34) após a aquisição da rede social pelo empresário Elon Musk, CEO da Tesla (TSLA34).

“Estamos conversando com o Twitter para entender a direção da plataforma sob sua nova propriedade. Como é o curso normal dos negócios com uma mudança significativa em uma plataforma de mídia, pausamos temporariamente nossa publicidade paga. Nossas interações de atendimento ao cliente no Twitter continuarão”, informou a GM em comunicado por e-mail.

A montadora salientou que vai continuar usando a plataforma para interagir com clientes, mas não pagará mais para publicidade.

A GM é uma das maiores concorrentes da Tesla. A empresa está investindo bilhões de dólares para conseguir competir com a montadora de Musk na produção de veículos elétricos. Por isso, pagar a publicidade no Twitter significaria financiar, indiretamente, as atividades do bilionário sul-africano.

Especialmente se considerarmos que Musk foi forçado a vender bilhões de dólares de ações da Tesla para acumular o capital necessário para comprar o Twitter, em uma operação de mais de US$ 44 bilhões.

Agora o mercado está aguardando o posicionamento de outras montadoras que pagam pela propaganda no Twitter, como Ford, Stellantis e a própria Alphabet (GOGL34), controladora do Google e da Waymo, concorrente direta da Tesla no mercado de carros elétricos.

Mercado aguarda entender qual será o futuro do Twitter (TWTR34) sob Musk

A direção futura do Twitter é a razão central da aquisição de Musk. O empresário chegou a dizer que quer uma rede social com "absoluta liberdade de expressão”, que restauraria a conta do ex-presidente Donald Trump, banido por seus tuítes durante a insurreição do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Um posicionamento que preocupou muitos publicitários, que começaram a cogitar em reduzir a propaganda na plataforma. Todavia, nesta sexta-feira, Musk disse que planeja um “conselho de moderação de conteúdo” e não restabelecerá nenhuma conta ou tomará grandes decisões de conteúdo antes que esse grupo de especialistas seja convocado. O executivo informou em um comunicado aos anunciantes divulgado na última quinta-feira, 27, que não pode deixar o Twitter se tornar um “livre para qualquer informação infernal”.

Mas existe outro problema para Musk, agora que se tornou o proprietário de uma rede social: o efeito emulação.

Há muito o executivo se gaba de que a Tesla não paga pela publicidade tradicional, um custo que se tornou cada vez maior para as montadoras tradicionais ao longo dos últimos anos.

Em vez disso, a Tesla recompensa as pessoas que administram ou são membros de clubes de proprietários da Tesla, bem como outros influenciadores que promovem os produtos (e as ações) da empresa nas redes sociais, especialmente no Twitter e no YouTube, bem como em blogs de fãs.

Com isso, outras empresas concorrentes poderiam tentar emular Musk, reduzindo seus gastos de propaganda no Twitter. O risco de um efeito emulação é elevado, e poderia se tornar uma avalanche, além de uma enorme dor de cabeça para o empresário.