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Euro cai a US$ 1,28 por temor de contágio da crise grega

Protestos de hoje na Grécia e possibilidade de crise chegar a Portugal e Espanha fizeram Euro cair a menor cotação em mais de um ano

Incerteza na Europa é causada pelas dúvidas da aplicação do programa de austeridade grego (.)

Incerteza na Europa é causada pelas dúvidas da aplicação do programa de austeridade grego (.)

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 04h10.

Frankfurt - O euro caiu hoje até os US$ 1,28, seu nível mais baixo desde meados de março do ano passado, devido à incerteza que a crise de endividamento da Grécia e o temor de que ela se estenda a outros países da área criou nos mercados.

Hoje o euro oscilou entre US$ 1,2803 e US$ 1,2997.

A perda de confiança e a incerteza sobre a situação financeira dos países do euro do sul da Europa levaram muitos investidores a sair da zona do euro e impulsionaram a compra de dólares, considerado um investimento de segurança.

Além disso, as imagens dos protestos na Grécia intensificaram mais ainda a incerteza nos mercados, disse Antje Praefcke, analista de divisas do Commerzbank, à Agência Efe.

Os investidores temem que a economia da zona do euro fique a reboque do crescimento econômico global devido aos problemas financeiros de alguns de seus Estados-membros.

A revisão em alta das previsões de crescimento da Comissão Europeia para 2010 na União Europeia (UE) quase não forneceu impulsos ao euro.

A Moody's anunciou que a dívida soberana de Portugal está em observação - com uma qualificação atual de Aa 2 - para uma possível rebaixamento.

Na semana passada a agência Standard's and Poor's desceu a qualificação da dívida soberana grega até o nível de bônus lixo BB+/B desde BBB+/A-2.


As agências de qualificação intensificaram a incerteza nos mercados de divisas, segundo Praefcke, que considera que existe uma falta de confiança e que não se trata só de meros movimentos especulativos.

A incerteza, na qual alguns analistas vêem mais ataques especulativos, se apóia nas dúvidas de que a Grécia será capaz de implementar o programa de medidas de ajuste e corte do gasto público que apresentou, condição para receber a ajuda financeira dos países da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nos próximos três anos.

O pacote de ajuda financeira (110 bilhões de euros) em si é suficiente para cobrir o déficit de 2010 até 2012 e a metade dos custos de refinanciamento da dívida grega.

A Grécia viveu um novo dia de protestos violentos com um saldo de três mortos no incêndio de um banco e um número indeterminado de feridos nos enfrentamentos entre a Polícia e manifestantes em um dia de greve geral como resposta às medidas de austeridade do Governo.

O presidente do Bundesbank (banco central da Alemanha) e também membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE), Axel Weber, advertiu sobre o perigo de contágio da crise da Grécia para outros países da zona do euro.

Weber defendeu em um discurso no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) o pacote de ajuda financeira à Grécia, país que teve um endividamento de 13,6 % de seu PIB em 2009.

A Irlanda lidera o endividamento da zona do euro com um déficit de 14,3% e a Espanha fica em terceiro lugar com 11,2%.


"No caso de uma moratória da Grécia existe um risco significativo para a estabilidade da União Monetária e do sistema financeiro na frágil situação atual", disse Weber.

Em seu comparecimento perante o comitê orçamentário do Bundestag, Weber justificou a contribuição da Alemanha, que inicialmente se opunha, ao pacote de ajuda à Grécia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, fez uma defesa veemente das ajudas financeiras para a Grécia, mas exigiu reformas nos tratados da UE para evitar uma repetição da crise e a recuperação da primazia da política sobre os mercados financeiros em uma declaração perante o Bundestag.

Merkel ressaltou que "está em jogo o futuro da Europa e com isso o da Alemanha".

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, pediu recentemente uma liderança política na zona do euro em alusão direta à Alemanha.

O ex-chanceler alemão Helmut Kohl defendeu a ajuda financeira à Grécia. "Agora estou mais convencido do que nunca que a UE é para a Europa e, por certo, para nós uma questão de guerra e paz e que o euro é para nós uma garantia da paz".

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