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Dólar sobe e fecha a R$ 3,75, maior nível em quase 1 mês com exterior

Moeda norte-americana avançou 0,83%, a R$ 3,7583 na venda, maior nível de fechamento desde 11 de outubro, quando terminou em R$ 3,7788

 (Sergey Nazarov/Thinkstock)

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Reuters

Publicado em 6 de novembro de 2018 às 17h10.

São Paulo - O dólar encerrou a terça-feira, 7, em alta e no maior nível em quase um mês sob influência do exterior, em meio às expectativas pelo desfecho das eleições parlamentares norte-americanas, e ainda monitorando o noticiário político doméstico.

O dólar avançou 0,83 por cento, a 3,7583 reais na venda, maior nível de fechamento desde 11 de outubro, quando terminou em 3,7788 reais.

Na máxima, a moeda foi a 3,7703 reais. O dólar futuro tinha alta de 0,74 por cento.

"A configuração das Casas é importante para determinar o grau de dificuldade que terá Donald Trump nos seus últimos dois anos de mandato", disse o operador de câmbio da Advanced Corretora Alessandro Faganello, citando expectativas de que o partido Republicano do presidente norte-americano deve manter o Senado enquanto os democratas devem ficar com a maioria na Câmara.

O dólar passou o dia rondando a estabilidade ante a cesta de moedas com o mercado aguardando o resultado da eleição norte-americana e as consequências para a maior economia do mundo. "Seja qual for o resultado das eleições de meio de mandato de hoje, achamos que a economia dos EUA diminuirá drasticamente no próximo ano, à medida que o estímulo fiscal anterior se esvair e o Fed apertar as subidas", escreveu a empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics em relatório.

Ante divisas emergentes, a moeda norte-americana operava mista, em alta ante a lira turca e queda ante o peso mexicano.

Internamente, os investidores continuaram monitorando o noticiário político, em dia de visita do presidente eleito, Jair Bolsonaro, a Brasília, onde participa de sessão solene dos 30 anos da Constituição na Câmara dos Deputados. Na quarta-feira ele irá se reunir com o presidente Michel Temer. Na véspera, Bolsonaro afirmou que o governo fará "alguma reforma da Previdência" no começo do ano que vem. E ponderou que a Previdência pode receber ajustes graduais com o mesmo resultado de uma reforma mais profunda e sem levar alarde à população.

Ao mostrar desconfiança sobre o modelo de capitalização proposto por seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Bolsonaro trouxe um pouco de cautela ao mercado, diante da indefinição ainda do que será de fato proposto e perseguido.

"O mercado está evitando tomar posições até ter um cenário mais claro, mas a moeda em alta acabou gerando 'stop loss' ao redor dos 3,75 reais, atraindo mais compradores", disse um profissional da mesa de câmbio de uma corretora ao explicar o repique da moeda mais cedo.

Nesta tarde, Guedes disse que caso a reforma da Previdência enviada pelo governo Michel Temer não seja aprovada neste ano no Congresso caberá a Bolsonaro trabalhar com uma "nova reforma" no ano que vem.

O Banco Central vendeu nesta sessão 13,6 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 2,04 bilhões de dólares do total de 12,217 bilhões de dólares que vence em dezembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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