Dólar fecha em queda: moeda americana caiu 0,28% no dia, cotada a R$ 5,2417 (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 27 de março de 2026 às 17h24.
O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 27, em queda, devolvendo parte dos ganhos observados ao longo do pregão, e fechou a semana com recuo frente ao real, mesmo em um ambiente externo mais adverso. A moeda americana caiu 0,28% no dia, cotada a R$ 5,2417.
Durante a sessão, chegou a atingir a máxima de R$ 5,279 logo após a abertura, mas perdeu força ao longo da manhã e, principalmente, no início da tarde, quando tocou a mínima de R$ 5,218. Apesar de uma leve desaceleração no movimento de queda ao longo da tarde, o dólar manteve o sinal negativo até o fechamento.
No acumulado da semana, a divisa recuou 1,27%. Na comparação com o fechamento de 20 de março, quando estava em R$ 5,3141, o dólar também registra perda, indicando uma apreciação do real no período.
O movimento no Brasil destoou do cenário internacional. No exterior, o dólar apresentou valorização frente a moedas fortes, em meio à aversão ao risco provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas, subia 0,19%, aos 100,13 pontos, perto das 17h10.
A cautela global foi reforçada pela alta do petróleo. Os contratos do Brent avançaram 4,22%, a US$ 112,57 por barril, enquanto o WTI subiu 5,46%, a US$ 99,64, com investidores reagindo a incertezas sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e a novos ataques a estruturas de energia. A valorização da commodity costuma pressionar moedas emergentes, como o real, ao aumentar a percepção de risco e de inflação global.
Apesar disso, fatores domésticos ajudaram a conter a pressão cambial. Segundo Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, o dólar tem mostrado comportamento lateral ao longo de março, sustentado por um fluxo externo mais favorável ao Brasil.
"O investidor gringo está com uma visão positiva para o Brasil. E isso tem ajudado a controlar o fluxo de dólar", afirma. Coelho também destaca a atuação do Banco Central, que realizou leilões ao longo do mês para evitar uma alta mais expressiva da moeda e seus impactos inflacionários.
O operador pondera, no entanto, que a leve pressão observada em alguns momentos do pregão pode estar associada ao cenário geopolítico.
"O mercado tem percebido que o [presidente dos Estados Unidos], Donald Trump tem feito novas movimentações militares nos finais de semana. Então uma saída desse capital para migrar para ativos de segurança lá fora pode ter dado essa pequena pressão no dólar", disse.
Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que o câmbio perdeu força ao longo do dia após um início mais pressionado pelo ambiente externo.
"A combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã, mas o movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário", afirma.
Segundo Shahini, o fluxo foi se equilibrando ao longo da sessão, especialmente diante da proximidade do fim de semana. "O câmbio passou a oscilar em faixa mais estreita, convergindo para um fechamento próximo à estabilidade".